SÃO PAULO - Vista do alto, São Paulo é uma cidade cinza, com poucas áreas verdes. Imagens de satélite mostram alguns grandes parques (Ibirapuera, Villa Lobos e Aclimação, para citar os mais centrais) e um pequeno número de bairros mais arborizados, como Jardim América, Alto da Lapa e Pacaembu - não por acaso, algumas das regiões mais ricas da cidade. Nas áreas mais pobres, na periferia, nos locais onde a ocupação não foi planejada, a presença de vegetação é mínima.

Num cenário como esse, a ideia de produzir um livro sobre as árvores de São Paulo parece absurda. Mas ele acaba de ser lançado. Chama-se "Àrvore Cidade São Paulo", e chega às lojas pouco menos de três anos depois de um volume da mesma série, dedicado ao Rio de Janeiro. "As pessoas quase não citam a natureza de São Paulo. Só se fala de poluição, trânsito, violência", reconhece Jair de Souza, responsável pelo design do livro. "Por isso, é surpreendente quando você olha para as árvores com mais cuidado".

Jair também trabalhou no "Árvore Cidade Rio de Janeiro". Segundo ele, a vegetação carioca é mais variada que a paulistana. Mas, em compensação, São Paulo tem mais árvores floridas. "A floração é muito mais presente em São Paulo", explica. Principalmente por causa de três espécies bastante comuns no município: o ipê, o jacarandá mimoso e a quaresmeira. "Essas três árvores me emocionam", diz o designer.

César Duarte / Divulgação
Jacarandá Mimoso no Parque Ibirapuera
A imagem da capa do livro é justamente de uma quaresmeira, clicada na Liberdade, com a típica iluminação do bairro ao fundo. No livro, a espécie de flores roxas ainda aparece em fotos tiradas na Avenida Paulista e perto do aeroporto de Congonhas. Algumas das mais belas imagens são as dos ipês: a inconfundível árvore, que dá flores rosas no inverno, pode ser vista no livro em fotos tiradas na Consolação e na Líbero Badaró.

A árvore favorita de Jair de Souza, no entanto, é o jacarandá mimoso. "Sua presença  é São Paulo é impressionante", diz. Originária da Argentina, a espécie é considerada uma das mais belas do mundo. Tanto que foi levada pelos portugueses a lugares como a África do Sul. Na capital paulista, o melhor lugar para ver sua copa de até 20 metros de diâmetro cheia de perfumadas flores lilás é o Parque do Ibirapuera.

César Duarte / Divulgação
Palmeira imperial na Praça da Sé
Jair só lamenta que poucas pessoas percebam a beleza dessas árvores na cidade. "As pessoas reparam mais na ausência do que na presença das árvores. Quando alguma é cortada, todo mundo fica revoltado. Mas, enquanto elas estão lá, poucos prestam atenção", diz.

O livro é uma boa oportunidade para mudar isso. Ele nos lembra, por exemplo, que ao lado do Museu de Ipiranga há belos ciprestes. Documenta as palmeiras imperiais que ficam em frente à Catedral da Sé. Registra a gigantesca figueira ao lado da Pinacoteca do Estado.

E também chama a atenção para a tipuana, espécie mais comum na cidade. Ele é facilmente reconhecível porque geralmente tem seu tronco e galhos recobertos por uma trepadeira. Pode ser vista, por exemplo, no bairro dos Jardins e na Cidade Universitária.

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