Livro desvenda a curiosidade despertada por lendas urbanas

Catalina Guerrero. Redação Central, 23 mai (EFE).- Elvis está vivo; o homem nunca pisou na Lua; há crocodilos nos esgotos de Nova York; as pirâmides do Egito foram construídas por extraterrestres; estão são algumas das lendas urbanas usadas por escritores e roteiristas em seus trabalhos, mas cujos direitos autorais são um pouco de todos nós.

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Por isso, Tomás Hijo, escritor, ilustrador e professor da Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), teve a iniciativa de reunir mais de 500 dessas histórias na obra "El Libro Negro de las leyendas urbanas, los bulos y los rumores maliciosos" ("O Livro Negro das lendas urbanas, das mentiras e dos rumores maliciosos", em tradução livre).

O autor confessa que todas as histórias reunidas no livro são rigorosamente falsas e, por isso, convida o leitor a abordá-las com certo ceticismo, como se fossem "fofocas de vizinhos".

Entretanto, em entrevista à Agência Efe, o escritor diz que, "na maior parte das vezes, é impossível saber se essas histórias são verdadeiras ou não".

Como um colecionador, Hijo as reuniu durante anos, e o fruto dessa determinação foi o que considera como uma "compilação exaustiva" de lendas urbanas, divididas em 13 capítulos. Alguns deles têm nomes sugestivos como "Crimes lendários", "O sobrenatural", "Conspirações e versões não oficiais" e "A coisa da morte".

Segundo o autor, as lendas urbanas têm em comum o fato de terem sido "histórias escritas por muitas mãos, já que quando uma pessoa constrói uma boa história, sempre há outra que se sente obrigada a preencher as lacunas e, no final, são quase perfeitas".

Além disso, essas histórias são de domínio público, circunstância que as torna muito atraentes para serem usadas por escritores - como o campeão de vendas Dan Brown ("O Código da Vinci", "Anjos e Demônios") - ou roteiristas de cinema e televisão, comentou Hijo.

Esses profissionais costumam explorar o filão das histórias relacionadas ao sobrenatural e das conspirações e versões não oficiais, nas quais não é raro se deparar com serviços secretos, maçons, Illuminatis e até mesmo com extraterrestres.

Qualquer um deles ou vários ao mesmo tempo servem para explicar diferentes lendas urbanas, como a morte de Lady Di, os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, a aids, o segredo das pirâmides do Egito ou os misteriosos círculos em campos de milho.

"A lenda urbana quase sempre usa o pior dos casos porque é fundamentada no medo", seja em relação ao desconhecido ou ao diferente, explica Hijo, que cita histórias sobre pessoas enterradas vivas, sequestros para remover órgãos ou o devastador terremoto que os chineses provocariam se pulassem todos ao mesmo tempo.

Além dessas, há outras que, em vez de ser espontâneas, são histórias que alguém inventa para prejudicar uma pessoa ou uma instituição.

São os casos dos que dizem que Bill Gates é o Anticristo, que a Coca-Cola serve para desentupir encanamentos ou que as lanchonetes McDonald's e os restaurantes chineses usam carne de procedência duvidosa, segundo o professor de Salamanca.

A fama também toma a forma de mentiras, como a lenda de que Walt Disney teria sido congelado após sua morte e que seu corpo está sepultado debaixo do brinquedo do filme "Piratas do Caribe" na Disneylândia.

Há também os que garantem que Elvis Presley está vivo e contam ter visto o lendário roqueiro diversas vezes, enquanto que outros juram de pés juntos que Paul McCartney está morto e foi substituído por alguém idêntico a ele.

Segundo Hijo, as lendas urbanas são "o lado tenebroso das brincadeiras, têm interesse social, são histórias que quase sempre incluem um final surpreendente" e são infalíveis para chamar a atenção.

"Funcionam muito bem, qualquer um pode deixar outras pessoas bastante boquiabertas. Esse é um dos elementos-chave do sucesso destas histórias. Por isso, as lendas urbanas viajam por onde tenham que viajar". EFE cat/bba

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