Nova York, 8 set (EFE) - O novo livro do jornalista Tom Gjelten, que começou a ser vendido hoje nos Estados Unidos, narra a história de Cuba através da biografia da família Bacardi, famosa por comandar a empresa de rum de mesmo nome.

"Bacardi and the Long Fight for Cuba: The Biography of a Cause" ("Os Bacardi e a longa luta por Cuba: A biografia de uma causa", em tradução livre) é o título do novo romance de Gjelten, correspondente da rádio nacional pública americana ("NPR", em inglês) e autor de "Sarajevo Daily" (1995).

A obra, publicada pela editora Viking, conta uma história empresarial diferente, já que a Bacardi é uma das maiores companhias familiares privadas do mundo e passou por duas revoluções, vários ditadores, incontáveis disputas entre parentes e um exílio da nação que ainda considera como seu lar.

A partir da apaixonante vida da famosa dinastia do rum, o autor traça um paralelo com o próprio desenvolvimento de Cuba como país independente.

"Os Bacardi de Cuba, fundadores de uma destiladora de rum e uma marca conhecida no mundo todo, apareceram com a era de sua própria nação e ajudaram a apresentar a definição do que significa ser cubano através de cinco gerações", explica a editora em comunicado.

O autor analisa as personalidades políticas de Cuba desde os anos em que a ilha lutava para conseguir a independência da Espanha até a chegada de Raúl Castro ao poder, passando pela ascensão de Fidel e o estabelecimento do regime comunista.

O romance apresenta Don Facundo, o patriarca da família Bacardi, como um arredio imigrante catalão que tentava obter um rum suave que fizesse do nome Bacardi um sinônimo de estilo de vida cubana despreocupada.

Seu filho mais velho, Emilio, é o personagem que representa o desenvolvimento político da ilha, já que é um homem que arrisca sua vida continuamente e tem que enfrentar longos períodos atrás das grades pelo bem da chamada "economia social justa do país".

Durante o turbulento século XX, a companhia de rum foi uma das empresas cubanas mais importantes, conhecidas por seu perfil patriótico.

O livro conta, por exemplo, que quando Fidel fez sua primeira viagem aos Estados Unidos como chefe de Estado de Cuba, o presidente da Bacardi naquela época, Pepin Bosch, foi o único homem de negócios cubano convidado.

No entanto, após ser estabelecido um regime socialista em Cuba, Fidel nacionalizou o negócio dos Bacardi, e a família teve que fugir da ilha para o exílio, de onde se tornaram os principais promotores do movimento anti-castrista.

"Quando começaram a ser feitos os preparativos para a era posterior a Fidel em Cuba, a família voltou a ocupar um lugar de destaque, como empresa no exílio com interesses comerciais, e tentou se colocar em uma posição competitiva de antecipação para a reabertura da ilha", diz a editora.

Tom Gjelten conseguiu unir a história cubana com a de uma só família, em um livro que inclui fotos de Fidel Castro e dos Bacardi nunca antes publicadas fora de Cuba. EFE atc/bm/db

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