BRASÍLIA (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, comemorou nesta segunda-feira o anúncio dos médicos de que está livre do câncer detectado em março e afirmou estar preparada para o que der e vier. Perguntada se está pronta para a campanha eleitoral do ano que vem, Dilma afirmou que seus médicos a liberaram para todas as atividades. A ministra é a pré-candidata do PT à Presidência da República.

"(Estou preparada) para o que der e vier. Eu não sei para o que, mas para o que der e vier", afirmou Dilma a jornalistas, sem especificar a candidatura. "O que aparecer na minha vida eu acho que vou encarar."

O Hospital Sírio-Libanês informou nesta segunda-feira por meio de comunicado que a equipe médica responsável pelo tratamento de um câncer da ministra concluiu que Dilma está "livre de qualquer evidência de linfoma".

"Os médicos falam que o meu tratamento foi concluído. Estou em condições de voltar ao trabalho. Me sinto muito feliz hoje", comentou.

A ministra disse que a doença fez com que ela desse mais valor à vida. "Nesse processo aprendi muito. Aprendi principalmente a valorizar mais as coisas simples e também as coisas complexas, dar valor ao ato de viver... me fortaleceu."

Dilma agradeceu a todos que a apoiaram durante os últimos meses, e lembrou que ninguém está livre de ter um câncer. Por isso, ela afirmou que trabalhará junto ao Ministério da Saúde para aumentar o acesso aos remédios necessários para combater a doença.

Ela também aconselhou que as pessoas façam exames periódicos, o que poderia facilitar o tratamento da doença se esta for identificada em um estágio inicial.

"O momento mais difícil é quando a gente recebe a notícia. Cada um de nós pensa que a gente nunca vai ter nada", revelou.

A ministra comemorou o fato de não precisar mais tomar remédios diariamente e deixar de estar fragilizada. "Recuperei a minha energia. Está na minha cara que eu recuperei a minha energia."

O hospital esclareceu, entretanto, que não se pode falar em cura. Portadores de câncer só recebem alta após acompanhamento por cinco anos, quando são realizados exames periódicos.

A doença da ministra foi detectada em março quando, em uma avaliação de rotina, Dilma descobriu um nódulo na axila esquerda. Após a retirada, foi diagnosticado um linfoma --forma de câncer que se origina nos gânglios do sistema linfático.

A ministra de 61 anos realizou então sessões de quimioterapia e radioterapia. No anúncio da constatação do câncer, os médicos que a acompanham afirmaram que o fato de ter sido encontrado ainda no início era um fator altamente positivo, com possibilidade de cura de 90 por cento.

(Reportagem de Fernando Exman)

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