Como se posicionar diante da dor? O que é o arrependimento? Questões assim reúnem um grupo de 30 profissionais de saúde todas as sextas-feiras na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Uma obra de literatura universal, lida previamente por todos os alunos, dá a pauta dos diálogos.

Médicos, universitários, pós-graduandos, psicólogos, fonoaudiólogos e até funcionários administrativos investigam sentimentos, projetos e reflexões dos personagens.

Os participantes organizam uma roda e todos podem falar. O encontro já recebeu um nome: laboratório de humanidades. “As experiências realizadas aqui envolvem a afetividade e a sensibilidade dos participantes”, afirma Dante Marcello Claramonte Gallian, diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp e principal responsável pelo laboratório.

“É uma experiência de encontro com a força humanizadora da literatura”, diz o historiador Rafael Ruiz Gonzalez, um dos idealizadores do encontro. Livros tão diferentes como O Senhor dos Anéis, Primeiras Estórias, O Apanhador no Campo de Centeio e Odisseia já instigaram discussões no grupo.

A dermatologista Enilde Borges Costa acredita que a obediência a um conjunto de “regrinhas” não garante o cuidado integral de um paciente. “É preciso conquistar um olhar humanizado, que se torne um traço da personalidade do médico em todos os momentos, também fora do hospital”, afirma Enilde. “Não é simples, mas o laboratório me ajuda a conquistar esse olhar”, completa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

AE

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