Três dias depois de aberto o processo de cassação contra o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), o Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Rio só conseguiu hoje notificar o parlamentar para começar a contar os cinco dias de prazo para que ele apresente a sua defesa por escrito. Segundo a Alerj, Lins foi encontrado pelos emissários no fim da manhã e assinou o comunicado.

O deputado tem até a noite de sexta-feira que vem para entregar a defesa e a lista de testemunhas. Só então os depoimentos dos convocados e do próprio acusado poderão ser marcados. A comissão, que se reúne na próxima terça-feira, só espera este passo para traçar uma estratégia que permita acelerar o processo.

Para evitar que Lins ganhasse mais tempo, o presidente da comissão, deputado Paulo Melo (PMDB), também publicou hoje no Diário Oficial da Casa o edital de notificação. Apesar de ter Lins como colega de partido, o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), e integrantes de seu grupo político já deram sinais de que não pretendem se movimentar para poupar o mandato do parlamentar.

Pesa contra Lins o fato de ter repercutido mal na opinião pública o relaxamento da prisão dele há duas semanas, na Operação Segurança Pública S.A. da Polícia Federal, pelo plenário da Alerj. Além disso, Lins é ligado ao grupo do ex-governador Anthony Garotinho no PMDB fluminense. O ex-governador foi isolado no partido com a adesão de Picciani ao grupo do governador Sérgio Cabral Filho, que trava uma queda de braço para fazer do ex-deputado Eduardo Paes o candidato do PMDB à prefeitura da capital fluminense.

Lins é acusado pela PF e pelo Ministério Público Federal de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, facilitação de contrabando e formação de quadrilha armada. Quando foi chefe da Polícia Civil, na gestão de Rosinha Matheus, ele lotearia delegacias para arrecadar propinas. Garotinho, apontado como sustentáculo político do esquema, também foi denunciado à Justiça.

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