Linha 2 do metrô vai ganhar mais 4,3 km com verba federal

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) recebeu ontem um financiamento de R$ 1,58 bilhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as obras de expansão da Linha 2 (verde), do Alto do Ipiranga até a Vila Prudente. O anúncio foi feito em evento na Favela de Heliópolis, na zona sul da capital, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Agência Estado |

Ao todo foram liberados R$ 4,32 bilhões para o Estado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na cerimônia, o presidente destacou a importância da parceria com as administrações de Serra e de Kassab para a melhoria do trânsito na cidade. Ele justificou o trânsito caótico com o argumento de que a população com mais recursos compra mais veículos. "Apesar de as ruas estarem entupidas de carros, quando se compra um novo a pessoa se sente quase perto do céu", brincou. Disse que seu governo investe em transportes, como o metrô, para o prefeito e o governador "não serem xingados pela população que fica presa no trânsito".

Já Serra destacou que até 2010 sua administração pretende ter 240 quilômetros de trilhos unindo o metrô e a CPTM. Ele agradeceu a parceria com o BNDES e disse que sem a cooperação do governo federal e da Prefeitura não seria possível desenvolver projetos desse porte.

Os investimentos na Linha Verde incluem a instalação de 4,3 quilômetros de linha, três estações - Sacomã, Tamanduateí e Vila Prudente -, um pátio de estacionamento e manutenção, além da aquisição de 16 trens com seis carros cada um. Esse financiamento corresponde a 80% do que está orçado para esse trecho - R$ 1,97 bilhão. A conclusão das obras está prevista para 2010.

Durante o projeto, devem ser criados 3,6 mil empregos diretos e 5,4 mil indiretos. Assim que estiver concluída, essa obra vai acrescentar cerca de 290 mil passageiros por dia, elevando a demanda total para aproximadamente 530 mil passageiros/dia no metrô. O trecho, que recebeu investimento do governo federal, de acordo com o governador José Serra, também vai atender a comunidade da Favela de Heliópolis.

Infra-estrutura

Ainda foram assinados nove convênios, o maior deles para obras no entorno das Represas de Guarapiranga e Billings, abrangendo 45 áreas, com obras viárias, eliminação das áreas de risco, saneamento, drenagem, instalação de sistemas de iluminação pública e a construção de 1.262 casas populares por parte da Prefeitura e 5.300 pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Apenas tal convênio envolve recursos da ordem de R$ 869,3 milhões, dos quais R$ 250 milhões da União e R$ 172,7 milhões do governo estadual e R$ 446,5 milhões da Prefeitura.

Os outros oito convênios são de urbanização de favelas, num montante de R$ 624 milhões, dos quais R$ 338,4 milhões do governo federal e R$ 285,6 milhões da Prefeitura. As obras serão realizadas em oito favelas, incluindo Heliópolis e Paraisópolis.

Na avaliação da secretária estadual de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Penna, um dos projetos mais importantes é a recuperação do entorno das represas Guarapiranga e Billings. Segundo ela, 21% do abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo depende desses mananciais.

Na opinião do secretário municipal em exercício da Habitação, Elton Santa Fé Zacarias, a união do governo federal, do Estado e da Prefeitura contribuiu para o fortalecimento da política habitacional da cidade de São Paulo. Nas duas maiores favelas que serão beneficiadas pelos recursos anunciados, Heliópolis e Paraisópolis, serão construídas 1.895 unidades habitacionais (no valor de R$ 175,4 milhões) e reassentadas 2.500 famílias (num projeto avaliado em R$ 172,9 milhões), respectivamente.

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