Língua espanhola se expande no Brasil e vale prêmio Don Quixote a Lula

Eduardo Davis. Brasília, 11 out (EFE).- O espanhol está se expandindo atualmente como nunca no Brasil, graças a uma lei que incorporou a língua à educação oficial e que valeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Prêmio Don Quixote de la Mancha, que o chefe de Estado receberá na segunda-feira, na Espanha A lei que Lula sancionou em 5 de agosto de 2005 entrou em vigor no ano letivo de 2006 e estabelece que todas as escolas do ensino médio públicas e privadas devem oferecer a língua espanhola aos alunos.

EFE |

As instituições de ensino têm prazo de até 2011 para se adaptar à lei, que já estimulou o interesse pelo idioma, atualmente ensinado em mais de 35% das escolas.

O Governo da região de Castela-La Mancha e a Fundação Santillana quiseram reconhecer o incentivo que a lei deu à língua no Brasil e concederam a Lula a primeira edição do Prêmio Internacional Don Quixote de la Mancha para o melhor trabalho institucional.

Lula receberá o prêmio das mãos do rei Juan Carlos I da Espanha na próxima segunda-feira, em cerimônia que será realizada em Toledo, a cerca de 80 quilômetros de Madri, e que também terá a presença do presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero.

Além deste reconhecimento, há dados consistentes sobre a expansão que o idioma espanhol teve antes e depois da lei no Brasil, país que, com essa iniciativa, busca mais aproximação com seus vizinhos hispano-americanos.

Segundo o Ministério da Educação, em 2002, o espanhol só era ensinado em 840 escolas do país. No entanto, em 2005, já era oferecido em 6.217 das 16.621 escolas públicas de ensino médio, o que representa 37,4% das instituições.

Embora não haja dados atualizados, fontes oficiais disseram à Agência Efe que, após a aprovação da lei, a procura pela língua só vem aumentado. No entanto, admitiram que ainda há obstáculos, como pouco orçamento em algumas regiões ou falta de professores em outras.

Tanto na formação dos professores, feita por instituições brasileiras, quanto na especialização dos mesmos, o Brasil tem um importante apoio da Espanha, que, segundo o embaixador espanhol no país, Ricardo Peidró, "fez um esforço notável" nesse sentido.

O conselheiro de Educação da Embaixada da Espanha no Brasil, Ángel Altisent Peñas, disse à Efe que, nos últimos três anos, cerca de 10 mil professores se especializaram ou se atualizaram no ensino do espanhol, mediante acordos assinados pela Espanha com os Governos dos 27 estados do Brasil.

Quando a lei foi aprovada, segundo os cálculos, seriam necessários aproximadamente 25 mil professores, e faltavam 13.254 educadores.

Também não há dados atualizados sobre essa carência, mas fontes oficiais calculam que a mesma foi reduzida ligeiramente, e prevêem que será necessário continuar formando professores para atender à expansão da demanda, que hoje supera os 10 milhões de alunos.

O ensino superior também foi contagiado pelo interesse, e o número de licenciaturas em espanhol ministradas nas universidades do Brasil chegou este ano a 324, das quais 70% foram implantadas nos últimos dez anos.

O Instituto Cervantes, que desembarcou no país em julho de 1998 - quando abriu sua primeira casa, em São Paulo -, também teve um papel importante no processo que transformou o Brasil em uma nova fronteira do idioma espanhol.

Após esta primeira sede, foi aberta uma nova no Rio de Janeiro, em setembro de 2001. Em julho de 2007, em um ato presidido pelo príncipe Felipe da Espanha, foram inaugurados simultaneamente os novos centros de Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.

Desde o final do ano passado, também funciona um núcleo em Recife, e nos próximos meses serão inaugurados os centros de Florianópolis e Belo Horizonte, atingindo nove em todo o país.

O Brasil já é o país com mais centros do Instituto Cervantes no mundo todo, seguido por Marrocos (cinco), França (quatro) e Estados Unidos (três). EFE ed/fh/an

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