Líderes do PT se reúnem com Sarney e Renan em Brasília

A líder do governo no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), e o líder do PT na Casa, Aloizio Mercadante, já estão na residência da presidência do Senado para um encontro com José Sarney, onde se encontram também o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), a governadora licenciada do Maranhão, Roseana Sarney, e o líder do PTB, Gim Argello.

Redação com Agência Estado |

A realização do encontro antes de o PT anunciar posição oficial sobre a crise no Senado foi uma decisão da bancada do partido tomada na terça-feira à noite.

Sem apoio incondicional

Na reunião de ontem, a bancada do PT decidiu não prestar solidariedade incondicional a Sarney. Depois de cerca de duas horas e meia, o partido acabou colaborando para enfraquecer o presidente da Casa ainda mais, ao fechar com uma proposta semelhante àquela apresentada à tarde ao próprio PSDB, que ponderou sobre a necessidade do senador peemedebista se afastar do cargo. Sarney esperava o apoio total dos petistas.

O líder petista Aloizio Mercadante (SP) relatou que a sugestão é para que se crie uma comissão formada por representantes dos partidos e por consultores do próprio Senado, com o objetivo de gerir a crise e promover a reforma estrutural profunda que a Casa e a sociedade exigem. "Esta comissão vai se integrar à Mesa Diretora de forma complementar, porque o colegiado que compõe a Mesa tem mandato", observou o líder.

Agência Senado
Antonio Carlos Júnior (DEM - BA), Álvaro Dias (PSDB-PR), líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN)

Antonio Carlos Júnior (DEM - BA), Álvaro Dias (PSDB-PR) e o líder
do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN)

DEM, PSDB, PDT e PSol pedem afastamento

Sarney já conta com quatro partidos pedindo sua licença do cargo. Na terça-feira, DEM, PSDB e PDT fecharam questão contrária ao mandatário do Congresso na terça-feira, posição que foi tomada pelo PSol na segunda-feira. Esses partidos somam 33 senadores, oito a menos que os 41 necessários para votar a cassação de um mandato.

Apesar da soma, o número não é preciso. Isso porque na bancada do DEM , de 14 senadores, pelo menos quatro são favoráveis á permanência de Sarney.

No PSDB também há defecções . O vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO) é um dos tucanos que não quer o afastamento. Nos bastidores, tem ponderado que a cadeira da presidência estaria muito quente neste momento, e que a crise poderia cair em seu colo caso assumisse o cargo.

Por outro lado, a bancada do PMDB, que apóia Sarney e tem 19 senadores também conta com aqueles que querem a cabeça de Sarney. O exemplo mais notório é Pedro Simon (RS), que está licenciado devido a uma cirurgia no apêndice.

Sarney não cogita se licenciar

Apesar do fogo contra Sarney, o presidente disse, por meio de seu porta-voz, que sequer cogita se licenciar do cargo . Senadores do PMDB disseram à reportagem do Último Segundo que o presidente conta com o apoio do Planalto para superar a crise. Também estaria se espelhando no exemplo de Renan Calheiros (PMDB-AL).

O colega teria dito a Sarney que só se manteve vivo no Senado pois enfrentou a crise na cadeira de presidente. Caso contrário, acredita, teria sido cassado num dos diversos processo que respondeu por quebra de decoro parlamentar. 

(*com reportagem de Severino Motta, em Brasília)

Leia também:

Leia mais sobre José Sarney

    Leia tudo sobre: crisesarneysenado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG