Líder tucano no Senado deixa Serra sem palanque no Amazonas

BRASÍLIA ¿ Nas últimas eleições presidenciais, o Amazonas foi o Estado em que o presidente Lula teve sua vitória mais expressiva, com 86,8% dos votos válidos no segundo turno. Foi também onde ocorreu a pior derrota do candidato tucano Geraldo Alckmin, com apenas 13,2% dos votos. Neste ano, o pré-candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, corre o risco de encontrar a mesma dificuldade. Isso porque o nome mais forte da legenda no Amazonas, o do líder tucano no Senado, Arthur Virgilio, prefere candidatar-se à reeleição a disputar o governo para dar palanque a José Serra.

Nara Alves, enviada a Brasília |

O senador Arthur Virgilio recebeu a reportagem do iG em seu gabinete em Brasília e falou sobre suas expectativas para a corrida eleitoral deste ano. Para o senador, o PSDB deveria adotar um discurso crítico ao governo petista para não perder sua legitimidade.

Agência Senado
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iG ¿ Sua candidatura à reeleição ao Senado é irrevogável?

Arthur Virgilio ¿ Sim.

iG ¿ Então como fica o palanque tucano para apoiar José Serra no Amazonas?

Virgilio ¿ Eu acredito que funciona mais de cima para baixo do que de baixo para cima. Isto é, não é o candidato a governador que tem que dar voto para o candidato a presidente. Isso é uma coisa matemática, velha. Se fosse assim, se assim funcionasse, não precisaríamos ter eleição. O Serra não deve vir com a cabeça tradicional. Tem que vir moço, menino. Com a internet, redes sociais, Twitter, essa coisa de palanque está velha.

iG ¿ E o vice na chapa de Serra, pode transferir votos?

Virgilio - Também não ponho fé no vice. O vice não pode é tirar votos, ele tem que ser uma pessoa que não seja problemática, não pode atrapalhar nem na campanha nem depois. E deve agregar algo, ou tempo na televisão ou algum sentimento positivo.

iG ¿ E quem deveria ser o vice de Serra?

Virgilio - Eu daria preferência para um candidato do Nordeste.

iG ¿ O Tasso Jereissati (PSDB-CE)?

Virgilio - Ele não demonstra interesse na vaga.

iG ¿ Alguém do Democratas?

Virgilio ¿ Com o DEM não há problemas. O caso no Distrito Federal foi mais grave do que tudo o que você já viu. Mas o DEM foi exemplar.

iG ¿ Qual será ou deveria ser o discurso do PSDB durante a campanha? Seria um discurso de ruptura ou de continuidade com relação ao governo Lula?

Virgilio - A resposta que o PSDB deve dar na campanha deveria ser com uma proposta de política fiscal correta e com reformas estruturais para o Brasil se preparar para crescer em 10, 12 anos. Há uma discussão safada no governo que quer um produto interno bruto maior com afrouxamento das metas de inflação. O governo deixou de mirar a meta de inflação e está sinalizando um relaxamento que pode gerar uma inflação de 5,1% a uma taxa de juros de 11,25 pontos.

iG ¿ Mas como criticar um governo com a aprovação tão elevada?

Virgilio - Polarizar com o Lula não é inteligente, mas o PSDB deve ressaltar os índices de reprovação sobre políticas de saúde pública, de segurança e de educação. Os índices de educação são medíocres. Uma coisa é gostar do Lula, outra é querer a Dilma. O partido deve defender o que sempre defendeu, senão, vai ganhar sem legitimidade. Se você ganhar com uma cara que não é a tua, você ganha ilegitimamente. Se essa discussão não render, eu prefiro perder. Perder legitimamente. Isso não significa negar coisas boas, como por exemplo, a lei que limita a posse de terra de estrangeiros na Amazônia. Aliás, eu aprovei 86% dos projetos apresentados pelo governo. Eu esperava que esse governo fosse ser uma catástrofe, mas não foi. O PSDB plantou as bases para o Lula fazer o governo dele. Agora, um novo período desse pessoal pode ser perigoso. Eles não deixam rolar CPI, não se conformam com decisões da Justiça nem com a imprensa. Todos os partidos têm episódios de corrupção, mas eles têm uma coisa sistêmica com a corrupção.

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