Líder dos arrozeiros alerta para mais conflitos em Raposa Serra do Sol

BRASÍLIA - Líder dos produtores de arroz que resistem em sair da terra indígena Raposa Serra do Sol, o prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, diz que cumprirá a decisão a ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima quarta-feira, mas não garante tranqüilidade na região. A retirada de não-índios da reserva é questionada na Corte pelo governo do Estado de Roraima.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

Não sou louco de desrespeitar uma decisão do judiciário, vamos acatar a decisão seja ela qual for. A lei existe para ser cumprida, ressaltou o líder. Entretanto, se a decisão for pela confirmação da demarcação contínua da Raposa Serra do Sol, como determinou o governo federal, Quartiero afirma que os arrozeiros irão resistir dentro da lei. Não vamos deixar que este Governo irresponsável massacre nosso povo.

Desde que uma operação da Polícia Federal iniciou a retirada, em março deste ano, de não-índios da terra, conflitos armados estouraram na região. Em abril, o STF acatou o pedido de liminar do governo de Roraima que requisitou a suspensão da operação.

Um mês depois, os índios invadiram uma das propriedades do líder dos arrozeiros e foram expulsos a tiros. Após o conflito, Quartiero foi preso, em flagrante, depois que agentes da PF encontraram artefatos explosivos dentro da sua propriedade, a Fazenda Depósito.

Quartiero é um dos seis arrozeiros que continuam instalados na reserva indígena mesmo depois da desapropriação quase total da Raposa Serra do Sol. Apesar de já terem recebido as indenizações pela área que ocupam, os produtores se recusam a sair do local e contestam a demarcação contínua da reserva no Supremo Tribunal Federal (STF).

Plano internacional

De acordo com o prefeito de Pacaraima, a demarcação da Raposa Serra do Sol é  um plano de Organizações não Governamentais (Ongs) internacionais para tomar as riquezas do País, como a Amazônia. Segundo Quartiero, os índios são meros fantoches dessas entidades.

A batalha pela Amazônia já começou e foi por Roraima e os interesses internacionais estão lá instalados. Aqui [na Raposa Serra do Sol] não existe questão indígena, mas interesses políticos e econômicos, afirmou o prefeito.

Críticas ao Governo

Para Quartiero, o governo federal tem contribuído com o clima tenso dentro da reserva. Ele [o Governo] transformou irmãos em inimigos. Houve uma divisão de povos, índios contra brancos. E este fato vai ter conseqüências muito graves em um futuro próximo, disse.

O líder teceu críticas também ao ministro da Justiça, Tarso Genro, acusando-o de orquestrar a invasão de uma de suas propriedades, em maio. Aquele ministro [referindo-se ao Tarso] colocou aqueles índios dentro da minha fazenda para que ocorresse aquele conflito e criasse um escândalo. Foi tudo armação, completou.

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