Líder do PT pede CPI responsável, mas admite deslizes na gestão da Petrobras

BRASÍLIA - O governo já considera a CPI da Petrobras um fato consumado. O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), fez um apelo nesta segunda-feira por uma investigação responsável que não criminalize a estatal. Ele reconheceu a existência de problemas na gestão da empresa, sem esclarecer se estariam relacionados com as supostas irregularidades apontadas pela oposição.

Redação com Reuters |

"A Petrobras tem 3 mil gerentes e 50 mil contratos. É evidente que temos problemas na gestão da Petrobras, nesses contratos, em uma parcela desses contratos, dessas gerências. É evidente", afirmou o senador durante discurso no plenário.

Mercadante criticou o PSDB, que pressionou pela criação da CPI e não concordou em esperar a realização de uma audiência com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para que as denúncias fossem rebatidas antes da instalação da comissão.

"Precisamos fazer uma CPI com equilíbrio e responsabilidade. Fico bastante motivado para essa discussão quando vejo algumas lideranças da oposição falarem em uma CPI responsável, equilibrada, que preserve a Petrobras, que não ataque a Petrobras, que não desestabilize a Petrobras", disse.

O líder do PT destacou, no entanto, que a estatal tem mecanismos internos e externos de controle, fiscalização e auditoria. Além disso, sublinhou, a empresa tem apoiado investigações da Polícia Federal sobre supostas ilegalidades cometidas por seus funcionários.

Estratégias

O governo convocou para terça-feira uma reunião com aliados para conversar sobre a CPI. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que não conseguiu retirar as assinaturas de apoio à CPI dadas por integrantes da base aliada, comandará a reunião, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede temporária do governo.

A oposição também se reunirá na mesma data para traçar estratégia de atuação durante as investigações.

"Defendo que vá para a CPI quem tenha perfil para participar de um processo de investigação com equilíbrio e competência", disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN), tentando rebater as críticas do governo de que o partido, mais o PSDB, apostam na lógica do "quanto pior, melhor".

Segundo ele, a audiência pública com Gabrielli não aplacaria a ânsia da oposição por uma CPI. O objetivo é apurar suspeita de irregularidades fiscais e em licitações.

"A estratégia de ouvir o Gabrielli, que era o que eu sentia como a posição majoritária na bancada, é uma etapa vencida. A instalação da CPI é um assunto definido", disse Agripino.

Oposição

O DEM não mostrava interesse pela CPI na semana passada, quando o PSDB comandou a leitura do requerimento que deu início ao processo de criação da comissão.

PSDB e DEM terão três das 11 vagas titulares da CPI, o mesmo número que o bloco de apoio ao governo, composto por PT, PSB, PCdoB, PR e PRB.

PP, PTB e PDT, apesar de alinhados ao Planalto, votam de forma independente em muitas ocasiões. Cada um desses partidos contará com uma vaga.

Já o PMDB, sempre fiel da balança, terá direito a dois assentos na CPI. O líder da bancada, Renan Calheiros (AL), deve se autoindicar. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tende a ser o segundo nome da legenda.

"Em se tratando de PMDB, tudo é possível. Ele pode ajudar o governo ou atrapalhar o governo, vai depender muito dos interesses da cúpula do partido", afirmou o senador Jarbas Vasconcelos (PE), do PMDB, mas alinhado com a oposição.

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