Líder do PT na Câmara sente apelo eleitoral em votações

Nem bem assumiu a função de líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) sentiu no plenário o apelo eleitoral no ano de sucessão do presidente da República e no qual os deputados terão de buscar um novo mandato nas urnas. Vaccarezza constatou, na noite de ontem, assim que o painel eletrônico mostrou os votos dos deputados na aprovação de proposta que favorece os aposentados, a traição da base parlamentar que teria de comandar.

Agência Estado |

"Eu cometi o erro de acreditar que poderia chegar a um acordo com o bloquinho", disse, referindo-se ao bloco formado pelo PSB, PCdoB e PRB. "O bloquinho fez um acordo com a oposição e nos induziu ao erro", afirmou. Na noite de ontem, o plenário da Câmara impôs uma derrota homérica ao governo, incluindo repasse de dinheiro do pré-sal para reajuste de aposentadorias acima do valor de um salário mínimo, durante a votação do projeto de criação do Fundo Social, uma das quatro propostas do marco regulatório do novo petróleo.

Foram duas votações. A primeira delas atendia a uma regra regimental e a interesses políticos. Os deputados votaram a emenda do deputado Márcio França (PSB-SP), da base do governo, incluindo a destinação de recursos do pré-sal para a recomposição das perdas das aposentadorias. A esmagadora votação deu discurso político para os deputados de olho nos votos em outubro a favor dos aposentados. O placar registrou 357 votos a favor e o único voto contrário do deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).

"Vivemos uma situação kafkaniana. Discutimos o fundo de um recurso que não existe e, quando existir, nem sabemos qual será o montante de recursos", afirmou Madeira, conhecido por sua atuação contrária ao aumento dos gastos públicos. "A demagogia do governo de criar um fundo em ano eleitoral levou à demagogia da base do governo e da oposição de dar dinheiro para os aposentados", disse o tucano.

Todos os partidos encaminharam o voto favorável à aprovação dessa emenda. Pelo regimento, só com essa proposta aprovada, seria possível votar a outra emenda, negociada entre Vaccarezza e a base, para mudar esse texto, tornando-o mais genérico e retirando a destinação clara para as aposentadorias. Essa proposta foi negociada por Vaccarezza como uma forma de evitar um prejuízo maior para o governo.

Nova derrota. Desta vez, com o placar de 309 votos contra 92 e uma abstenção. Apenas o PT e o PMDB orientaram o voto a favor, mas, mesmo assim, não conseguiram que toda a bancada votasse unida. Dos 66 petistas que votaram, 52 votaram a favor, 13 contrários e um se absteve. No caso do PMDB, a metade seguiu a orientação do líder para votar a favor. Foram 30 votos.

Apesar do resultado, Vaccarezza não reconhece a derrota como um desastre. "O governo conseguiu um grande feito. Conseguiu aprovar o fundo social. Perdemos na votação de uma emenda que o presidente vai vetar", afirmou o líder. "O essencial está aprovado, não vamos tratar o secundário como se fosse o principal", ressaltou.

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