Líder do PCC é julgado nesta quarta-feira por morte de juiz em 2003

SÃO PAULO - Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, tido como líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), é julgado nesta quarta-feira no 1º Tribunal do Júri de São Paulo. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato do juiz-corregedor dos presídios de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, em 14 de março de 2003.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

AE
Marcola em 2006, quando foi preso
De acordo com o Tribunal do Júri,o julgamento começou por volta das 14h15, sem a presença de Marcola, que está preso em Presidente Vescenlau e preferiu não comparecer à sessão. Ele é representado apenas por seu advogado, Roberto Parentoni.

Por volta das 16h, todas as testemunhas já haviam sido ouvidas, sendo três de acusação e uma defesa. Segundo o TJ, as testemunhas de acusação foram dois delegados e um agente penitenciário. Já a de defesa foi um diretor do presídio de Presidente Prudente. A previsão é que o julgamento acabe na madrugada de quinta-feira.

A expectativa do Ministério Público Estadual (MPE) é que Marcola receba a pena máxima pelo crime, de 30 anos de prisão. Um bilhete escrito por Rogério Geremias de Simone, o Gegê do Mangue, é uma das principais provas contra o reú, segundo o MPE.

Além disso, o promotor Carlos Roberto Marangoni Talarico conta com depoimentos de antigos integrantes do PCC que acusam Marcola. "A prova é mais do que suficiente para condenar", considera ele.

Já Parentoni defende que seu cliente é inocente e frequentemente "usado como bode expiatório de todos os problemas da segurança pública no Estado". O advogado pediu na semana passada que algumas provas fossem retiradas do julgamento e requisitou que Gegê do Mangue seja ouvido no plenário, mas o Ministério Público não aceitou.

O julgamento de Marcola era para ter acontecido no dia 1º de outubro, junto ao de Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, que respondia pelo mesmo crime. No entanto, na ocasião, Parentoni abandonou a sessão alegando não ter tido acesso aos autos.

Carambola foi condenado a 29 anos de prisão e o julgamento de Marcola adiado para esta quarta-feira. 

Depois de ouvir testemunhas, verificar as provas e assistir aos debates, os jurados responderão a cinco questões. Na primeira e na segunda, decidirão se houve crime. A pergunta decisiva é a terceira, quando os sete jurados respondem se absolvem ou não o réu.

O caso

O juiz Antonio José Machado Dias foi assassinado a tiros por volta das 18h do dia 14 de março de 2003, durante uma emboscada montada quando saia do Fórum de Presidente Prudente. O carro dele foi fechado por outro veículo, onde estava Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, que disparou contra o juiz. Dias levou tiros na cabeça, no braço e no peito e morreu na hora.

Marcola e Julinho Carambola são apontados como os mandantes do crime. Na época do crime, Dias fiscalizava o Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes, considerado um dos mais rígidos do País. No local, só eram permitidas duas horas diárias de banho de sol e os detentos não podiam ter acesso a jornais, revistas e nem receber visita íntima. Por essa razão, o Ministério Público considera que os dois deram ordens para que outros comparsas matassem o juiz.

*Com informações da Agência Estado

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