O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que os movimentos sociais farão muitas mobilizações neste ano para evitar que o povo brasileiro pague a conta da crise financeira internacional e para exigir novas políticas econômicas do governo federal. A previsão foi feita hoje em rápida conversa com jornalistas pouco antes do início do velório do deputado federal Adão Pretto, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Citando debates feitos no Fórum Social Mundial, Stédile chegou a afirmar que "2009 vai ser uma tragédia para o povo brasileiro" porque, ao que tudo indica, a crise vai se aprofundar. A consequência previsível, acredita, é que, "como sempre, os capitalistas joguem a crise nas costas do povo, aumentando o desemprego, cortando salários e direitos e reduzindo os serviços públicos". Stédile entende que a crise trará, em contrapartida, a abertura de uma brecha para que o povo se mobilize e lute, não só para resolver suas necessidades básicas, mas para mudar o modelo econômico. Ele cita "ocupações, greves e passeatas" como instrumentos que poderão ser largamente utilizados na disputa de projetos que, segundo ele, se avizinha.

Um exemplo da disputa prevista por Stédile está nas leis trabalhistas. O líder dos sem-terra lembrou que, como os empresários já está falando na suspensão de direitos trabalhistas para enfrentar a crise, há setores sindicais trabalhando na construção de uma greve geral para defender a Consolidação das Leis do Trabalho. "Se essas ideias (de flexibilização dos direitos) avançarem é certo que a classe trabalhadora vai se levantar para defender o que levou cem anos para conquistar", advertiu.

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