Líder do MST desocupa fazendas no interior de São Paulo e pede diálogo

SOROCABA - O líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Junior decidiu nesta quarta-feira desocupar as 20 fazendas invadidas no Pontal do Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo, durante o chamado Carnaval Vermelho. Em duas áreas, as fazendas Pouso Alegre e das Cobras, no município de Dracena, os sem-terra devem permanecer porque os proprietários estão negociando a desapropriação com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Agência Estado |

Rainha disse que a decisão de recuar, tomada em conjunto com lideranças de outros movimentos, é um "gesto de boa vontade para o diálogo" com o governo estadual. "Esperamos que assim o secretário Marrey receba os movimentos, pois ao contrário do que ele pensa, nossa luta não é política", afirmou Rainha.

Na terça-feira, o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, disse que as invasões tinham pretexto político e que não receberia os sem-terra. Uma reunião marcada para hoje teria sido cancelada. A jornada de invasões ocorreu em protesto contra a lentidão da reforma agrária na região e contra o projeto do governador José Serra de regularizar áreas com mais de 500 hectares supostamente devolutas no Pontal.

O grupo de Rainha, cujas ações não são reconhecidas pelo MST, quer ainda que o governo federal assuma as funções do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) na região. Os sem-terra não vão esperar possíveis ordens judiciais para saírem das propriedades, segundo Rainha. Até a tarde de desta quarta-feira, nenhum mandado de reintegração de posse tinha sido expedido pela Justiça. "Estamos dispostos a resolver o conflito com entendimento", disse o líder.

Ele contou que havia solicitado uma audiência com Marrey juntamente com líderes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Brasileiros Unidos pela Terra (Uniterra) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) antes de anunciar a jornada de invasões. "O secretário disse que tinha marcado a audiência e cancelou por causa das ocupações, mas eu não estava sabendo. Vamos desocupar e esperar que ele nos chame."

Prisão

A União Democrática Ruralista (UDR) pediu hoje a prisão de José Rainha e de seu braço direito, Sérgio Pantaleão, por terem articulado as invasões do "Carnaval Vermelho". Os pedidos foram protocolados pelo presidente da entidade, Luiz Antonio Nabhan Garcia, no Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-8) de Presidente Prudente e na Procuradoria Geral de Justiça do Estado. A Procuradoria, órgão do Ministério Público Estadual, deve remeter o processo aos promotores criminais dos 16 municípios onde ocorreram invasões. A Polícia Civil informou que vários líderes das invasões já foram identificados e serão indiciados em inquérito.

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