Líder do governo diz que base vai boicotar CPI da Petrobras

BRASÍLIA - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse nesta quarta-feira que a base aliada vai boicotar a sessão da CPI da Petrobras, que acontece às 14h30, impedindo sua instalação. De acordo com ele, a briga entre o governo e a oposição não está sendo usada como ¿desculpa¿ para postergar a CPI, uma vez que o governo ¿quer instalar a comissão tão logo exista um entendimento¿.

Severino Motta, repórter em Brasília |

Não temos medo da investigação, alias, a Petrobras já é investigada pelo Tribunal de Contas, Ministério Público, Controladoria da União. Fazer a CPI é somente colocar o Congresso no processo. Esperamos que com o dia dos namorados e festas juninas a oposição perceba que está errada, volte atrás, e possamos instalar a CPI da Petrobras, disse.

O problema que Jucá se refere é o da CPI das ONG's. O presidente da Comissão, Heráclito Fortes (DEM-PI), destituiu o relator Inácio Arruda (PcdoB-CE). Acontece que na instalação da CPI, o acordo foi que o governo teria a relatoria e a oposição a presidência. Ao destituir Arruda, Heráclito empossou o líder do PSDB no cargo, Arthur Virgílio (AM).

Enquanto não houver resolução para o problema não participamos de nenhuma CPI, inclusive a da Petrobras. Há uma quebra de confiança, como vamos saber se num próximo acordo podemos dar a presidência de uma CPI para a oposição e confiar que ela não vai destituir o relator a qualquer momento?, ponderou Jucá.

Sobre as declarações do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, dando conta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria interferir na escolha dos nomes para a direção da CPI da Petrobras, Jucá foi taxativo: Essa é a opinião dele.

A CPI é feita no Congresso e pelos líderes do Congresso, o presidente não vai interferir. O que ele pediu é que exista a investigação, mas que ela não prejudique a empresa, que vem crescendo nos últimos anos. E nós vamos investigar e, caso encontremos alguma falha, vamos corrigir, explicou.

Apesar da declaração de Jucá, de que a CPI pode ser instalada nos próximos dias, a reportagem do Último Segundo apurou com senadores da base governista que, uma das estratégias do governo é empurrar pelo maior tempo possível a instalação da CPI. Se possível, até o recesso de julho, deixando-a para o próximo semestre, o que, na avaliação de alguns membros da base, enfraqueceria a CPI.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

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