Líder de professores atua no governo, acusa sindicato

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) vai pedir nos próximos dias ao Ministério Público Federal (MPF) a abertura de investigações sobre possíveis irregularidades em um projeto de extensão mantido entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o Ministério do Planejamento, no valor de R$ 370 mil. Segundo o sindicato, existem fortes indícios de conflito de interesses no projeto, cujo objetivo final é fornecer ao governo ferramentas para a reestruturação de cargos e carreiras no serviço público federal.

Agência Estado |

A razão da suspeita é a presença do professor Gil Vicente dos Reis de Figueiredo, presidente do Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), instituição que desde 2007 participa oficialmente de negociações com o governo, assinando termos que definem questões salariais e de carreira.

“Como é possível que a pessoa que vai à mesa de negociações do Ministério do Planejamento seja a pessoa contratada pelo mesmo ministério para uma pesquisa que envolve os interesses dos professores federais?”, pergunta o professor Ciro Correia, presidente do Andes. “Em qualquer outro lugar do mundo um contrato desse tipo já teria sido de motivo de escândalo público. Mas aqui não aconteceu nada. Por isso estamos pedindo ao Ministério Público que investigue e veja se há ou não conflito de interesses.”

Correia, que é livre docente do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), afastado temporariamente para exercer a atividade sindical, suspeita que o objetivo real do governo seja favorecer indiretamente o Proifes e, assim, interferir na disputa que se trava hoje entre essa instituição e o Andes pelo direito de representar os docentes das universidades federais. A disputa envolve interesses partidários. O Andes é filiado à Coordenação Nacional de Lutas (Comlutas), central sindical afinada com o PSTU e o PSOL - legendas que surgiram de dissidências do PT e hoje se opõem ao governo federal. O Proifes, por sua vez, está alinhado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), filha do PT.

O professor também conta que antes de decidir pelo pedido de ajuda aos procuradores da República, solicitou esclarecimentos ao Planejamento e à UFSCar. A assessoria de imprensa da pasta respondeu que o ministro recebeu a solicitação e “determinou que o órgão competente apurasse os fatos antes de dar qualquer informação”.

Já a diretoria de comunicação da UFSCar afirmou que o projeto - denominado Elaboração de Ferramentas que Possibilitem a Realização de Estudos para Reestruturação dos Cargos e Carreiras no Sistema Público Federal - é coordenado pelo professor Ednaldo Brigante Pizzolato. Sua criação teria seguido “todos os trâmites necessários em relação a projetos dessa natureza, sendo aprovado pelos órgãos colegiados competentes”. Sobre o possível conflito de interesses, a universidade respondeu que "a documentação enviada pelo Andes à UFSCar foi encaminhada à Procuradoria Jurídica da Universidade, que está analisando a matéria”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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