Licitação para término de Angra 3 será lançada até fim do ano

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Eletrobrás e a Andrade Gutierrez assinaram nesta sexta-feira contrato para o início das obras da usina nuclear Angra 3, marcando o começo efetivo da construção da unidade que vai gerar 1.350 megawatts a partir de maio de 2015. De acordo com o presidente da Eletronuclear, Othon Pinheiro da Silva, dois novos pacotes de obras serão colocados em licitação ainda este ano, referentes à montagem e às obras de contenção. Boa parte dos equipamentos foram comprados na década de 1970 e mantidos até hoje, com custo de 20 milhões de dólares anuais para a União.

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"Nos próximos três meses os editais estarão na praça... o de montagem eletro-mecânica é o maior contrato, os outros são menores", informou Silva a jornalistas durante evento da Eletronuclear na Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Ao todo, a obra ainda deve custar cerca de 8,1 bilhões de reais para a Eletrobrás.

Monopólio da União, a energia nuclear no Brasil poderá em breve ter a participação da iniciativa privada se depender de decisão do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, presente ao evento.

NOVAS USINAS

"Estamos analisando (abrir para a iniciativa privada). Do ponto de vista pessoal, gosto da idéia", revelou o ministro.

Por ser matéria constitucional, a mudança teria que passar pelo Congresso. Além de participações acionárias em usinas nucleares, Lobão defende que empresas privadas possam explorar também urânio, para aumentar a produção no país, tarefa exclusiva da União hoje.

Lobão afirmou que a energia nuclear já não assusta tanto como no passado e previu que o país pode no futuro "construir uma usina nuclear por ano, partir dos próximos 20 anos".

Para começar, o ministro informou que o governo já decidiu pela construção de pelo menos mais quatro unidades, duas no Nordeste e duas no Centro-Sul.

Cada usina, que fará parte de um complexo de seis unidades no futuro, terá capacidade para gerar 1 mil megawatts, com custo estimado em 3 bilhões de dólares cada uma.

"Todas as cidades pedem por essas usinas, elas não causam mal nenhum", afirmou.

Sobre os temores em relação aos resíduos nucleares, Lobão também descartou que sejam obstáculos.

"A França já desenvolveu tecnologia nova de reaproveitamento do resíduo nuclear", explicou.

De acordo com Lobão, haverá um leilão público para se saber em quais municípios serão guardados os resíduos, que, segundo ele, podem ficar por 500 anos enterrados sem problemas.

(Por Denise Luna)

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