A licença-maternidade de seis meses, aprovada na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, pode trazer melhorias tanto para a saúde do bebê quanto da mãe. É isso que defende o médico Dioclécio Campos Jr. , presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e um dos especialistas que propuseram a mudança à senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), autora do projeto.

"Seis meses não é um número escolhido aleatoriamente, mas com base em estudos científicos que mostram a importância de manter a mulher perto do recém-nascido", afirma Campos Jr. Segundo ele, nos seis primeiros meses de vida, o cérebro da criança cresce muito rapidamente, a uma taxa de 2 g/dia - número que cai para 300 mg/dia depois disso, até o sexto ano.

"Para promover esse crescimento do cérebro e também as conexões entre os neurônios que vão levá-lo a atingir seu potencial de desenvolvimento, são necessários dois componentes: uma nutrição adequada, alcançada exclusivamente pelo aleitamento materno, e estímulos sensoriais, que vão promover as sinapses. Ao prolongar a licença-maternidade, garantimos à criança o acesso a todo esse estímulo no período em que ele é mais fundamental", diz.

O projeto de lei está em concordância com a recomendação de que se amamente por no mínimo seis meses. O Ministério da Saúde vem fazendo várias campanhas nesse sentido e vê na extensão da licença um aliado, uma vez que permite que a mulher continue amamentando nesse período sem dificuldades de locomoção ou armazenamento do leite.

"Várias pesquisas mostram que a alimentação exclusiva com leite materno reduz o risco de várias doenças, como pneumonia, diarréia, além de alergias, como asma e rinite. Em termos econômicos, os ganhos podem ser enormes. Hoje, só com internação de menores de 1 ano com pneumonia se gasta R$ 400 milhões no SUS", afirma Lena Peres, diretora-adjunta de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde.

Benefícios

Para a mulher, lembra Lena, o aleitamento prolongado está associado à redução do risco de desenvolver cânceres de mama e de ovário, a um menor risco de fraturas e à redução da obesidade pós-parto. "Além de garantir um maior tempo com o bebê, o que diminui a angústia e a ansiedade da mãe em deixar em casa o filho em um período de tanta vulnerabilidade, como ele está aos quatro meses", complementa Campos Jr.

Após os seis meses, com a criança um pouco mais independente desses cuidados exclusivos - ela já pode ingerir outros alimentos que não só o leite -, a mãe se sentiria mais tranqüila para sair da licença, defende o pediatra. "Ao voltar ao trabalho nessas condições, ela tem capacidade de ficar mais concentrada e retorna se sentido respeitada.

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