Lesão nos olhos eleva risco de catarata e glaucoma

Trauma como o sofrido por Neymar, do Santos, pode gerar complicações graves

Lívia Machado, iG São Paulo |

Gazeta Esportiva
Neymar está afastado dos gramados depois de ter machucado o olho
Durante o jogo do último domingo, o atacante do Santos, Neymar, caiu bruscamente no gramado e feriu o olho direito com a própria mão. Com dificuldades para enxergar, o atleta foi substituído e não pode terminar a partida contra o Santo André, a primeira da final do Campeonato Paulista.

Embora aparentemente simples, se não tratado com rapidez o trauma sofrido pelo jogador pode provocar complicações mais sérias na visão.

Segundo a oftalmologista do Hospital Nove de Julho de São Paulo, Ana Luiza Hofling de Lima, lesões como a de Neymar são perigosas porque podem gerar sangramento na parte interna do olho. Dependendo da quantidade de sangue neste local, o ferimento é capaz de comprometer a córnea, provocar glaucoma , catarata e até cegueira.

“O sangramento mostra que ocorreu uma lesão na córnea, com ruptura de vasos sanguíneos. Quando ele ocorre na parte externa no olho, o sangue fica visível e o problema pode ser tratado mais facilmente. No caso de lesão interna, a hemorragia precisa ser contida.”

A reabsorção do sangue é um processo natural do organismo, aponta a especialista. O tratamento consiste, inicialmente, em analisar a pressão interna do globo ocular. “Ela precisa estar controlada para evitar novos sangramentos, o aumento da pressão sanguínea e, em casos extremos, a cegueira.”

A faixa de idade do jovem jogador do Santos, entre 20 e 25 anos, apresenta maior incidência desse tipo de lesão. O coordenador da área de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital Nove de Julho de São Paulo, Pablius Staduto Braga, revela que no Brasil, o futebol é a modalidade que tem uma das maiores incidências de lesões oculares. De acordo com dados do médico, 60% dos traumas são provocados pelo choque com a bola, 15% com as mãos e 10% com os pés.

Neymar não é o primeiro atleta brasileiro a sofrer um trauma na visão. Em 1969, Tostão, na época jogador do Cruzeiro, levou uma bolada no rosto, em uma partida contra o Corinthians. A dividida com o zagueiro Ditão provocou o descolamento da retina do craque, e o fez abandonar os gramados cinco anos depois, em 1974.

Prevenção

O uso de algum tipo de proteção para modalidades como futebol, vôlei, basquete não é comum no Brasil. “Nos EUA, alguns jogadores usam um óculos especiais, mas não temos essa cultura”, comenta Pablius Braga.O especialista em medicina do Esporte revela que a prevenção depende muito da consciência corporal de cada jogador. “O atleta sabe que deve proteger a cabeça, colocar as mãos no rosto em caso de queda.” Além disso, a postura dentro de campo também faz diferença. “Evitar faltas, carrinhos, entradas perigosas afasta o risco de lesões como essa.”

Primeiros socorros

Quem sofre alguma lesão ocular como a do jogador Neymar deve evitar esfregar o olho com a mão. Lavar com água – e só com água – e proteger o local com um tampão, são duas medidas que aliviam o desconforto inicial, mas é necessário procurar um especialista, realizar exames e checar o grau da lesão, alerta o oftalmologista do Hospital Albert Einstein, Claudio Lottenberg, especialista responsável pelo tratamento do jogador santista.

Segundo Lottenberg, nas primeiras 24 horas após o ferimento, o sangue que extravasa para o interior da pele em torno do olho pode causar equimose – o popular olho preto. "Quando um vaso sangüíneo se rompe e deixa os olhos vermelhos, geralmente é uma lesão superficial. Mas, quando o ferimento é interno, o problema se torna potencialmente grave e requer a atenção de um especialista", diz.

No caso do atacante, o sintoma foi imediato. O jogador sentiu um desconforto, lavou os olhos e pingou colírio ainda dentro de campo. A lesão, alerta o médico do Einstein, inicialmente pode não manifestar sintomas, maséprovocar transtornos futuros e exigir até intervenção cirúrgica.

O tratamento é simples, mas exige repouso do paciente. O jogador do Santos já teve alta médica, foi liberado para treinar mas permanece em observação. O tempo de duração é variável, depende do tipo da lesão. “Em casos mais graves, o atleta pode ficar afastado por um mês. Mas, geralmente, em uma semana ele está liberado para voltar à atividade física”, diz Lottenberg.

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