Lendário palácio de Átila, rei dos hunos, é reconstruído na Hungria

Marcelo Nagy Budapeste, 5 abr (EFE).- A imagem de Átila (406-452), o rei dos hunos e conhecido como o flagelo de Deus, aparece com novos traços enquanto seu lendário palácio é reconstruído por um grupo de pesquisadores húngaros para transformá-lo em uma atração cheia de mistérios para os turistas.

EFE |

János Kocsi, proprietário do terreno que fica em Tápiószentmárton, nas proximidades do rio Tisza, afirmou à Agência Efe que, agora, após receber as autorizações necessárias, "em um período de dois a dois anos e meio abriremos as portas do palácio".

A reconstrução requereria investimentos de cerca de 5 bilhões de forintes (19 milhões de euros).

O edifício será construído em grande parte de madeira, terá quatro torres de 28 metros de altura e um conjunto de porões de 2.800 metros quadrados.

O palácio ocupará um terreno de mais de 6 mil metros quadrados e receberá um museu de cera, uma sala de coroação e, no porão, um restaurante entre outros atrativos.

Na consciência histórica da Europa, a figura de Átila aparece como um vândalo, que roubou e matou milhares de pessoas durante suas incursões nos territórios do continente.

Porém, o objetivo de Kocsi é de oferecer uma imagem diferente do huno, que falava pelo menos cinco idiomas, entre eles o latim, e que tinha uma formação cultural romana.

Segundo diferentes teorias, os hunos e os húngaros tiveram antepassados comuns, o que explica que os húngaros vejam em Átila um herói de sua história antiga.

No país vivem milhares de homens que têm o nome deste huno tão temido em sua transcrição húngara, Attila, e mais outras centenas com a variante Etele, enquanto em quase todas as cidades há uma rua ou praça que lembra o "flagelo de Deus".

De toda forma, para Kocsi o palácio "será uma atração turística" e, apesar de se tratar de algo "lendário", "seria um pecado não reconstruí-lo".

"É uma obrigação minha construir um monumento do passado", de um importante episódio da história, disse Kocsi, que verá assim se transformar em realidade "um sonho de mais de 15 anos".

Já o arquiteto Tibor Endre Hayde explicou que se trata da reconstrução do palácio de Átila segundo descrições do enviado de Roma, o embaixador Prisco, que visitou o huno no ano de 448, e considerando o estilo arquitetônico da época.

Uma das características do palácio era que "seus portões se abrem para dentro, algo que surpreendeu o embaixador romano".

Segundo Hayde, o lugar seria um palco ideal para filmar um longa-metragem sobre Átila, "o que os húngaros nunca fizeram, mas sim os norte-americanos, os italianos e até os lituanos".

Diante do local no qual o palácio será construído há a colina Átila, onde em 1923 historiadores encontraram importantes artefatos, como um adorno de escudo, ou uma figura de ouro da época cita que representa um cervo e que atualmente está no Museu Nacional de Budapeste.

O cervo mágico é um personagem importante da antiga mitologia húngara, que chegou da Ásia, durante um êxodo que concluiu no atual território do país.

À colina se atribui uma capacidade curativa que consiste na emissão de diferentes energias e radiações.

É nesta colina em que nasceu a famosa égua Kincsem, que entre 1876 e 1879 ganhou todas as corridas (54) nas quais competiu. EFE mn/fal

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