Inimigo Público Nº 1 - Brasil - iG" /

Lendário criminoso francês ganha telas brasileiras no filme Inimigo Público Nº 1

SÃO PAULO ¿ Um verdadeira lenda da crônica policial francesa, Jacques Mesrine provocou pânico e gerou admiração na mesma medida em seu país de origem ao longo de duas décadas de crimes, que chegaram ao fim em 1979, numa emboscada em Paris. Assaltos ousados, fugas espetaculares, entrevistas cheias de pose e opinião política fazem parte de seu currículo, que chega ao Brasil praticamente intocado no filme Inimigo Público Nº 1 ¿ Instinto de Morte, integrante do Panorama do Cinema Francês, em cartaz em São Paulo e no Rio.

Marco Tomazzoni |

Divulgação

Vincent Cassel encarna célebre  Jacques Mesrine no épico "Inimigo Público Nº 1"

O longa é a primeira parte de um ambicioso projeto do diretor Jean-François Richet ("Assalto à 13ª DP") e encabeçado pelo ator Vincent Cassel ("Senhores do Crime", "Irreversível"). Com orçamento estimado em US$ 80 milhões e filmagens que se estenderam por nove meses, o projeto foi um sucesso de bilheteria na França, prova de que, mesmo para as novas gerações, a figura de Mesrine permanece forte.

Em entrevista ao iG , Richet contou que as pessoas gostam do criminoso porque ele é um símbolo de rebeldia contra o Estado. "Ele não era um gângster como os outros. Tinha um código de honra, não era cafetão, nem se envolveu com o mercado de drogas. Ia buscar o dinheiro onde está, nos bancos. No fim da vida, foi a favor dos movimentos de extrema-esquerda, queria se juntar às Brigadas Vermelhas na Itália, à Central Palestina, e por isso, sobretudo, que foi morto à plena luz do dia."

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Gerard Depardieu está no elenco da produção

Falando português fluentemente, Cassel concordou com essa visão, mas fez questão de apontar que ela não é unâmine. "Depende do ponto de vista. Ele é um herói para as classes mais pobres, mas não para os ricos. E, apesar da admiração, não era um Robin Hood, não roubava para dar aos pobres." Além disso, o astro francês ressaltou a explosão que o ego que o Mesrine sofre nos anos 1970. "No segundo filme, ele fica quase louco ao incorporar uma espécie de rockstar. A fama sobe à cabeça e às vezes ele perde a percepção da realidade."

A glorificação de Mesrine, aliás, afastou Cassel do filme pela primeira vez, no início da década. Convidado para assumir o papel principal, o ator recusou a proposta por considerar o roteiro muito maniqueísta. Ao longo de sete anos, no entanto, torceu para que o projeto tomasse o rumo certo, o que aconteceu quando Richet, amigo de longa data ¿ o irmão de Cassel fez a trilha sonora da estreia do cineasta na direção ¿, assumiu as rédeas.

O ator e a nova equipe se debruçaram sobre as reportagens e bibliografia a respeito de Mesrine, inclusive sua autobiografia, publicada clandestinamente quando ele estava na prisão. "Li tudo que foi escrito sobre ele e conversei com a família, policiais, juízes, advogados. Cada vez que me contavam uma história, tanto de quem odiava ou amava Mesrine, guardava todos os pontos em comum. Parti disso e percebi que era o que mais se aproximava da verdade. O filme é a realidade, e ela é superior à lenda", explicou Richet.

Para Cassel, o resultado final é o que descreve como um filme Camembert, fazendo graça com o queijo natural da Normandia. "Apesar de ser ambicioso, com cenas de ação, é ao mesmo tempo tipicamente francês, nas cores, nos carros, na música. Camembert, enfim", brincou.

Praticamente brasileiro ¿ frequenta o País desde os 20 anos, veraneia em Búzios e está construindo uma casa em Trancoso (BA) ¿, Cassel volta a São Paulo em julho para promover a estreia de "À Deriva", filme de Heitor Dahlia exibido com sucesso no último Festival de Cannes. Além disso, já adianta que tem um próximo projeto no país, a ser rodado com equipe nacional. "Tem tudo aqui", resumiu.

Serviço ¿ "Inimigo Público nº 1"
Exibição seguida de debate com equipe
Dia 17 de junho, às 21h30, em São Paulo, Reserva Cultural
Dia 19 de junho, às 20h30, no Rio de Janeiro, Odeon Petrobras
Estreia no Brasil: 04 de julho

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