Leilão na França oferece material de gráfica que atendeu reis

Paris, 13 abr (EFE).- O material da oficina dos encadernadores dos últimos reis da França e de outras famílias reais serão leiloadas em 2 de junho em Paris, informou hoje a casa de leilões Lafon-Castandet.

EFE |

A venda representa a dispersão de um legado de quase três séculos de antiguidade, cujos proprietários se decidem por vender após 15 anos de negociações com as instituições públicas que, até o momento, não mostraram interesse na compra, segundo os organizadores.

Trata-se de 400 selos de ferro que eram utilizados para imprimir em ouro as capas dos livros com o emblema da família que o tivesse encomendado, assim como várias prensas e outros materiais relacionados à encadernação.

Na coleção estão quatro selos da Coroa espanhola que datam de 1820 a 1860, como explicou à Agência Efe Roch de Coligny, um dos avaliadores das peças da oficina fundada pelo artesão René Simier.

As peças mais importantes são 30 selos da família real da França, entre os quais destaque para o mais antigo, que data da época de Luis XIV, e o "Sagrado de Luis XV", do século XVIII.

Na oficina também havia selos do Brasil, Portugal, México, Equador e dos Estados Unidos.

Será leiloada ainda uma prensa do século XVII que "pode ser a mais antiga nas mãos de particulares", disse o comissário Christophe Castandet, assim como outra oferecida à oficina pelo rei Carlos X, por funcionar com um dos sistemas mais inovadores da época.

Simier fundou a oficina no final do século XVIII em Paris e Napoleão Bonaparte pediu a ele que gravasse as armas oficiais do Império. Com a chegada dos Borbones, Luis XVIII o nomeou "encadernador do rei".

Com a sua morte, que assumiu a oficina foi seu filho Alphonse, quem a passaria a um amigo até chegar a Jean-François Barbance, o último artesão que administrou o negócio, que entregou à empresa a Avallon, na Borgonha, nos anos 70.

Castandet contou que o pintor Pablo Picasso entrou em contato com Barbance e que este também encadernou as obras pessoais do escritor Louis Aragon. EFE mas/dm

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