A lei antitabaco da França é sucesso de adesão pública, mas ainda não alcançou a redução de consumo que o governo desejava. Pesquisa do Ministério da Saúde francês, realizada no mês passado, indica que, oito meses após a entrada em vigor, a lei é respeitada por 97% dos fumantes em restaurantes e por 95% em bares e cafés, em Paris e no interior do país.

Segundo dados oficiais, 9% teriam abandonado o fumo, mas as vendas de cigarros não caíram mais que 5%.

A constatação de que os franceses respeitam a lei antitabaco é reforçada por uma mudança nítida de atitude: em frente a bares e boates, uma legião de freqüentadores chega a se expor a temperaturas negativas para fumar. Ao tratar das multas, o documento do Ministério aponta que, nos três primeiros meses de vigência, 188 autos de infração foram emitidos. No interior do país, foram 375 multas.

A legislação também teria levado 9% dos fumantes a abandonar o vício, de acordo com levantamentos parciais. "O balanço da lei é positivo. Houve iniciativas para contornar a lei, como transformar bares em clubes fechados só para fumantes, mas nenhuma funcionou", disse o médico Gérard Audureau, presidente da ONG O Direito dos Não-Fumantes, de Paris. Nem a queda abaixo do esperado na venda de cigarros desanima Audureau. "O que mais mudou foi o estado de espírito, a consciência."

A batalha das ONGs na França é agora para elevar o preço dos cigarros. Segundo Audureau, cada 10% de aumento reduz o consumo em 10%. Coincidência ou não, no mês passado, o Ministério da Economia da França anunciou reajustes que variaram entre 9% e 10% nos preços para tabaco puro, cigarros e charutos.

São Paulo - O governo do Estado de São Paulo anunciou na semana passada o envio de um projeto de lei para a Assembléia Legislativa proibindo cigarro, cigarrilha, charuto e cachimbo em todos os estabelecimentos, inclusive bares, restaurantes e casas noturnas. Para entrar em vigor, além de ser aprovado pelos deputados estaduais, o projeto depende de regulamentação. O Executivo avalia que a nova legislação estará valendo em seis meses. Estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que sete não-fumantes morrem por dia por causa da fumaça alheia. Dos casos de câncer de pulmão, 90% estão associados ao tabagismo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

AE

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