Leandro Basílio não matou Vanessa, diz defensor público

GUARULHOS - No julgamento de Vagner Conceição da Silva, Renato Correia de Brito e William César de Brito, acusados de estuprar e matar Vanessa Batista de Freitas, de 22 anos, em 2006, 14 pessoas foram ouvidas nesta quarta-feira no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, entre elas o delegado Jackson César Batista, que já havia prestado depoimento ontem, mas teve a presença novamente solicitada pelos advogados de defesa dos réus, depois de afirmações do defensor público Luis Eduardo de Toledo Coelho.

Paula Paulenas, repórter do Último Segundo |

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Coelho foi o primeiro a ser ouvido hoje, a pedido do Ministério Público, e justificou a presença da Defensoria em todos os atos em que for requisitada a presença de Leandro Basílio Rodrigues, o suposto "maníaco de Guarulhos". De acordo com o defensor, Leandro Basílio só assumiu, em setembro deste ano, a autoria do estupro e da morte de Vanessa porque foi ameaçado e torturado por policiais, mas em conversa reservada, o acusado revelou que sequer conheceu a vítima.

Coelho afirmou ainda que nos dez primeiros dias de investigação foi proibido de encontrar Leandro e que somente após a exposição do caso na mídia é que conseguiu ter contato com o acusado. A informação foi contestada por Jackson César Batista, delegado que ouviu a confissão de Leandro. Batista disse que ninguém da Defensoria procurou Leandro, até a exposição na mídia chamar atenção para o caso.

Questionado pelo juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano se ele acreditava que Leandro Basílio havia cometido o crime em julgamento, o defensor público disse tachativamente que não.

Na qualidade de testemunha de defesa, foi ouvido Rodrigo Cavalcante de Melo, que conheceu os réus na prisão. Segundo ele, os rapazes apresentavam ferimentos na região das costelas e um deles, Vagner, apresentava também ferimento nos pés. Quanto a testemunha foi perguntada pelos advogados de defesa sobre uma possível intimidação dos réus ao ouvirem uma voz de algum carcereiro ou policial, o promotor Levy Emanuel Magno interveio, disse que a pergunta era induzida e que este depoimento havia sido combinado. O Ministério Público pediu e o juiz recebeu o pedido de averiguação de falso testemunho de Melo.

Também foi requisitada a averiguação por falso testemunho de Emerson Ferreira da Silva, cunhado de Vagner, que relatou violência dos policiais ao abordar o réu em sua casa.

Interrogatórios

Na tarde desta quinta-feira, após a oitiva das testemunhas, também foram ouvidos os três réus, isoladamente. O primeiro a responder foi Renato, com que a vítima teve uma filha, hoje com três anos de idade. Além de negar ter matado ou mandado matar Vanessa, ele disse que jamais ofereceu dinheiro aos policiais para ser libertado. O réu também disse que em momento algum confessou os crimes e, apesar de reconhecer sua assinatura em uma suposta confissão feita ao delegado Paulo Roberto Poli, disse que não teve chances de ler o que assinou na delegacia, já que era agredido a todo momento pelos policiais.

William também relatou detalhadamente os maus tratos a que foi submetido, desde o momento em que foi abordado pelos policiais. Ele também disse que não cometeu os crimes por quais responde. O mesmo disse Vagner ao ser interrogado.

O juiz perguntou aos três sobre a permanência deles no Centro de Detenção Provisória 1 (CDP-1) de Guarulhos, já que este presídio é conhecido por abrigar membros da facção criminosa PCC, e, como já é conhecido, os presos de lá não toleram suspeitos de terem cometido crimes sexuais. Todos disseram que em nenhum momento lhes foi perguntado se eles poderiam ser encaminhados a um ou a outro presídio e que jamais lhes foi oferecida alguma proteção, como é de costume nos casos de crimes sexuais.

Durante os interrogatórios, os réus disseram que os presos, integrantes do PCC, exigiram que eles entregassem uma cópia do processo e, após a análise, concluíram que eles eram inocentes e os deixaram vivos.

Outras testemunhas

Na condição de testemunha de defesa, também foram ouvidos nesta quarta-feira Fábio Gomes, locador da garagem onde William guardava o carro, Irai Antônio Cardoso da Silva, dono da pizzaria onde Renato trabalhava, Fábio Gomes Pereira, locador do quarto onde Renato morava na época, e Virgílio Silva Aragão, amigo de Renato. Houve ainda a oitiva de duas testemunhas sigilosas, que pediram para ter a identidade preservada. Não foi revelada a importância delas para o esclarecimento do caso.

Prestaram depoimento, ainda, Vivian Conceição da Silva, Valter Conceição da Silva e Iraildes Alves Conceição, irmã, irmão e mãe e Vagner. Pela relação de parentesco, eles foram ouvidos apenas como informantes e não são obrigados a assumir compromisso em apenas falar a verdade.

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