Laudo preliminar do IML revela crueldade de pedreiro

Laudo preliminar divulgado hoje pelo Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia (GO) comprova que as seis vítimas do pedreiro Adimar Jesus da Silva foram executadas com extrema violência. Todos tiveram traumatismo craniano profundo produzido por objetos contundentes.

Agência Estado |

AE
Pedreiro Admar de Jesus indicou aos policiais onde estavam os corpos

Pedreiro Admar de Jesus indicou aos policiais onde estavam os corpos

A constatação coincide com a confissão do maníaco, que revelou à polícia e à imprensa ter matado os rapazes a pauladas e golpes de enxadão e de martelo.

Alguns tiveram a cabeça totalmente esmagada, o que dificulta ainda mais qualquer tipo de identificação que não seja por teste de DNA. A polícia apreendeu na casa do pedreiro e encaminhou para a perícia uma marreta, um martelo e um enxadão para verificação se foram utilizados no crime.

Após a fase inicial, a Polícia Civil de Goiás vai devassar todo o passado do pedreiro, seu histórico familiar, ciclo de amizades, além de reconstituído cada passo que ele deu nas duas primeiras progressões (semiaberto e liberdade condicional), quando lhe foi permitido visitar parentes e usufruir das saídas temporárias.

Pelo caráter frio e dissimulado do pedreiro, a polícia desconfia que ele cometeu outros crimes nesses períodos e até mesmo no passado. Como sua imagem agora é amplamente conhecida no País, a expectativa é que eventuais vítimas de abusos ou tentativas apareçam.

Exames

O laudo cadavérico completo só será concluído dentro de 30 dias. Em Brasília, a Polícia Federal começou a fazer os exames de DNA nas amostras de tecidos das vítimas enviadas pela Polícia goiana.

Esse processo, segundo a PF, deve demorar de dez a 15 dias e só então os corpos serão liberados para enterro. As famílias estão programando uma cerimônia coletiva de sepultamento na cidade. Pretendem também entrar com ação na Justiça para reclamar indenização diante da sucessão de falhas do poder público e da omissão de agentes do Estado que tinham o dever de monitorar o assassino confesso.

Adimar foi condenado a 14 anos de prisão (pena depois reduzida para dez anos e dez meses) por violência sexual contra duas crianças em Brasília, em 2005, mas foi posto em liberdade em 23 de novembro de 2009, após cumprir dois sextos da pena. O alvará contrariou parecer de três psicólogas que o consideravam "psicopata perigoso", com "sinais de sadismo" e de "perversão sexual", que o tornavam inapto ao convívio social.

AE
Mães procuram por filhos desaparecidos misteriosamente

Mães levaram o caso para a imprensa e ao Congresso Nacional

O caso

Entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, seis meninos com idades entre 13 e 17 anos desapareceram misteriosamente. Eles não se conheciam, mas tinham em comum o fato de todos morarem no Parque Estrela Dalva, que concentra cerca de um quarto dos habitantes de Luziânia  - quarta maior cidade de Goiás, com 203.800 moradores, segundo contagem de 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Parque Estrela Dalva está situado a 56 quilômetros de Brasília, na periferia.

Todos desapareceram de dia, após realizarem atividades de rotina. O primeiro a desaparecer, em 30 de dezembro de 2009, foi Diego Alves Rodrigues, de 13 anos. Pouco antes das 10h, ele saiu de casa no bairro para ir a uma oficina de carros e não foi mais visto.

A polícia chegou a trabalhar com a hipótese de rebeldia típica de adolescente. O delegado Rosivaldo Linhares disse à época que acreditava que todos os jovens estavam vivos. O núcleo de atendimento a famílias de pessoas desaparecidas da Secretaria de Desenvolvimento Social do DF, que foi à cidade ajudar nas buscas, afirmou que em mais de 80% dos casos de desaparecimento os adolescentes fogem e reaparecem em até um ano.

As mães dos jovens, porém, nunca acreditaram nesta possibilidade. A copeira Sonia Vieira de Lima, mãe de Paulo Victor, que desapareceu no dia 4 de janeiro, era uma delas. "Meu filho não era rebelde e não tinha razão para fugir", disse. "Ele era carinhoso com a família, organizado e trabalhador." O perfil corresponde a quase todos os desaparecidos, segundo os parentes.


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