RIO DE JANEIRO ¿ O delegado titular da 36ª DP (Santa Cruz), Aguinaldo da Silva, disse nesta quinta-feira que o laudo do Instituto Médico Legal mostra que a menina austríaca Sophie Zanger, de quatro anos, morreu em decorrência de um traumatismo craniano causado por uma ação contudente. De acordo com o delegado, o documento aponta ainda que a criança possuía diversos hematomas pelo corpo, sendo alguns referentes a agressões feitas antes do tombo no banheiro que teria levado a vítima à morte.

O laudo mostrou que a menina possuía diversas marcas pelo corpo. Também temos fotos que mostram isso. Todos esses dados comprovam que ela vinha sofrendo maus tratos há algum tempo, afirmou o titular da 36ª DP.

AE

Prima (à esq.) e tia (à dir.) de Shophie deixam a 36ª DP

Aguinaldo da Silva disse que irá recolher o depoimento de mais vizinhos nesta quinta-feira e, amanhã, pretende ouvir o médico do Hospital Estadual Getúlio Vargas, localizado na Penha, que atendeu Sophie uma vez. O profissional tirou as fotos que comprovam os hematomas na menina.

O delegado responsável pelo caso informou que pretende finalizar o inquérito na próxima terça-feira. A tia da menina austríaca, Geovana dos Santos, de 42 anos, e a filha dela, Lílian dos Santos, de 21, deverão ser indiciadas por maus tratos e, até mesmo, por tortura.

Sophie morreu na madrugada da última sexta-feira no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, na Baixada Fluminense. Ela foi internada em estado grave no dia 12 de junho e permaneceu em coma por uma semana.

De acordo com o boletim divulgado pelo hospital, a menina chegou à unidade com 14 quilos, desnutrida, desidratada e com marcas de agressão espalhadas pelo corpo. Além disso, Sophie apresentava contusão na cabeça e os punhos quebrados.

Depoimento da enfermeira

Uma enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Cruz, onde a menina austríaca Sophie Zanger, de 4 anos, recebeu os primeiros cuidados médicos, relatou à polícia que o quadro da criança era compatível ao de quem sofria constantes agressões . A menina tinha o rosto desfigurado, trauma encefálico, fratura no pulso esquerdo e hematomas novos e antigos.

A enfermeira Deise Bastos, de 44 anos, disse em seu depoimento à polícia que não foi fatalidade. Foi crueldade. Aquela criança foi torturada. A criança estava desidratada, desnutrida e chegou em coma nível 3 na escala Glasgow, que vai até 6. A vítima não tinha abertura ocular, resposta verbal ou motora. Não acredito que um tombo provoque uma lesão com afundamento de crânio, ressaltou.

Deise contou à polícia que Sophie chegou à UPA molhada e vestida com uma calça rosa e uma blusa, por volta das 17h30 do dia 12. Quando notei as manchas roxas nos braços, tirei a roupa da menina e toda a equipe médica ficou chocada. Entendi que a vestiram para esconder os hematomas, disse.

Ao ver o estado da menina, a médica de plantão pediu que os seguranças chamassem a polícia e o Conselho Tutelar. Nesse momento, Lílian fugiu da UPA. Sophie foi entubada e a equipe começou a preparar sua transferência para o Hospital de Saracuruna. Lílian retornou à UPA com a mãe, o pai e o primo R., de 12 anos, irmão de Sophie. Os adultos aparentavam indiferença, mesmo após ver o corpo, disse a enfermeira.

Na terça-feira, Geovana e Lílian foram à delegacia e prestaram depoimento por mais de seis horas . Elas disseram que não batiam em Sophie e nem no irmão da menina. As suspeitas relataram ainda à polícia a versão de que Sophie tería caído enquanto tomava banho e batido com a cabeça no box.

Foi uma fatalidade. A menina escorregou, caiu e foi socorrida. Não estamos foragidas e não tem ninguém pedindo nossa prisão, disse Lílian ao sair da delegacia . Sobre depoimentos de vizinhos apontando maus-tratos, afirmou: falam o que querem.

Entenda a trajetória da família

Sophie e o irmão de 12 anos moravam com a tia em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. As duas crianças, que nasceram na Áustria, vieram para o Brasil há quase dois anos, acompanhados da mãe, Maristela dos Santos. Ela era casada com o representante comercial austríaco Sascha Zanger, que conheceu em 1993, quando ele passava férias no Brasil. Após dois anos de namoro, o austríaco levou-a para Viena.

Em 2006, o casal se separou por problemas no relacionamento. No entanto, em janeiro de 2008, a ex-mulher do representante comercial pegou os dois filhos e veio para o Brasil, sem a autorização de Sascha. Maristela foi morar na casa da irmã, mas estava desaparecida desde março . Com isso, a tia das crianças conseguiu a guarda provisória dos sobrinhos.

O pai de Sophie disse que pagava uma pensão de cerca de 1.500 eurospara os filhos, mas que eles viviam em um barraco, em condições insalubres. Ela [a tia] só estava vendo os euros. Ela não estava vendo as crianças. Ela não queria cuidar das crianças. A única intenção foi só o dinheiro,  avaliou.

*com informações da Agência Estado e da Bandnews

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