Laudo da PF diz que maletas da Abin não fazem grampo

A conclusão do laudo dos exames periciais nos 16 equipamentos enviados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ao Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, diz que nenhum dos aparelhos da Abin tem capacidade para gravar conversas mantidas em aparelhos celulares, de qualquer tipo de tecnologia. Diz, também, que nenhum dos equipamentos consegue gravar telefonemas feitos entre aparelhos de sistemas digitais fixos.

Agência Estado |

O Stealth LPX é apropriado para escutas ambientais - o que não foi o caso do grampo da conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), - e também "não possui capacidade para interceptar, modular e decodificar sinais provenientes de telefonia móvel e dados oriundos de redes telemáticas".

A Abin pediu a perícia nos equipamentos do serviços de inteligência para provar que o grampo da conversa entre o presidente STF e o senador Demóstenes Torres, noticiado pela revista Veja , no final do mês passado, não poderia ter sido feito por nenhuma das maletas da agência. A Abin instaurou uma Comissão de Sindicância Investigativa no dia 30 de agosto.

Na reportagem da revista e em entrevistas posteriores, tanto o presidente do STF como o senador admitiram que o diálogo revelado era verdadeiro e que no caso de Gilmar Mendes a conversa havia sido mantida a partir de um telefone celular. Ao entregar os equipamentos, a Abin pediu que, depois da perícia, a PF respondesse a estas perguntas: se as maletas e demais equipamentos da agência teriam capacidade para grampear telefones celulares nos padrões GSM, CDMA e PCS, se podiam fazer interceptações em sistemas de telefonia fixa de centrais digitais, de centrais digitais para telefones analógicos, e se o aparelho Stealth LPX, no padrão "active interceptors", tem mesmo capacidade de interceptação.

Referindo-se a Gilmar Mendes, a revista Veja dissera no título da reportagem que a "Abin gravou o ministro". A reportagem não diz que o grampo foi feito com as maletas compradas legalmente pela agência, mas o laudo do Instituto de Criminalística permitirá à Abin dizer que oficialmente nenhum agente usou seus equipamentos para grampear o ministro e o senador.

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