Laudo cita 5 hipóteses para queda de viaduto

O primeiro relatório do acidente na obra do Expresso Tiradentes, antigo Fura-Fila, na zona leste de São Paulo, divulgado ontem pelos técnicos da Prefeitura, aponta cinco possíveis causas para o tombamento na segunda-feira da estrutura, de 990 toneladas e 64 metros de comprimento. Um dos motivos seria uma falha no projeto, que teria provocado um desequilíbrio na estrutura, em formato de uma gangorra.

Agência Estado |

Outra possibilidade é que tenha ocorrido um erro de execução na hora de colocar o concreto. Um dos lados teria recebido mais material do que o outro, o que criou uma diferença de peso e provocou o tombamento. A terceira explicação seria o desalinhamento do pilar que sustenta a estrutura. Fora da posição ideal, pode ter feito a plataforma pender.

As duas hipóteses restantes são o choque de um caminhão com excesso de altura - que poderia ter passado por baixo do viaduto - e "fatores externos, fortuitos ou supervenientes".

"São todos erros de engenharia", afirmou o consultor em Engenharia Urbana Luiz Célio Bottura. "Tudo isso pode ser evitado. É o bê-á-bá da engenharia." Para ele, é impossível admitir qualquer uma dessas hipóteses, considerando que o método é muito utilizado na engenharia brasileira. "Faltou controle. Entendo que quando contrata uma obra o poder público tem obrigação de fiscalizar."

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) também investiga o acidente, assim como técnicos do consórcio responsável pela obra, formado pelas empresas Carioca Engenharia e Andrade Gutierrez. Os laudos devem ser concluídos em até 30 dias.

Ainda não há previsão para a retomada das obras na estrutura que tombou nem na outra plataforma, que é feita com a mesma técnica, chamada balanços sucessivos. O trabalho continua, porém, no restante do trecho, que é construído com um método diferente, com vigas metálicas e placas pré-moldadas de concreto.

"Existem acidentes na cidade de São Paulo, que infelizmente você não pode, em tão poucos dias, esclarecer definitivamente. O importante é que seja bem esclarecido", afirmou o prefeito Gilberto Kassab.

O acidente aconteceu quando uma estrutura de concreto pendeu sobre o Viaduto Grande São Paulo, na Vila Prudente. Com isso, um dos principais acessos à região leste e ao ABC ficou bloqueado por quase 24 horas. Não houve feridos.

A Andrade Gutierrez participa do consórcio responsável pela obra da Linha 4 do metrô, na qual houve um desabamento em 2007.

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