Em menos de 24 horas, o que parecia um plano infalível levou para a cadeia um ladrão e permitiu à polícia identificar outros quatro acusados de invadir um condomínio e roubar dois apartamentos em Moema, na zona sul de São Paulo. Os criminosos sequestraram a neta de três meses e a nora de uma empregada doméstica de uma das vítimas para obrigar a funcionária a levá-los ao prédio.

"O que os bandidos não sabem é que, agindo assim, eles deixaram uma série de rastros", afirmou o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, supervisor do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Osbel Lima da Costa, de 43 anos, foi preso em flagrante sob acusações de roubo, sequestro e formação de quadrilha. Ele é acusado de cuidar do cativeiro das vítimas. "Os outros quatro ladrões também foram identificados", disse Nico.

A ação dos bandidos começou às 17 horas de anteontem, quando a empregada Célia Maria da Silva, de 52 anos, saía da igreja na qual havia assistido a um culto religioso com sua nora Iara Oliveira Gomes Beraldo, de 18 anos, e sua neta Maria Eduarda. Os bandidos dominaram as três e levaram Iara e seu bebê para um cativeiro na Rua Aurélio de Campos, na Vila Alide, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.

Em seguida, disseram a Célia que, se quisesse ver de novo a neta e a nora, devia levar os ladrões à casa de sua patroa, Hortênsia D’Asti, de 86 anos. Os criminosos obrigaram Célia a levá-los em seu carro - a empregada era autorizada a entrar na garagem do prédio com seu veículo.

Quando chegaram ao condomínio, na Rua Tuim, o porteiro abriu a garagem. Os bandidos subiram com Célia até o apartamento. Um estava lendo a Bíblia e outro abraçava a empregada, dando-lhe beijinhos para disfarçar. Primeiro, entraram no apartamento de Hortênsia. Queriam joias, dinheiro, tudo o que pudessem levar.

Depois de revirar o imóvel no 17º andar, os criminosos foram para o apartamento do filho de Hortênsia, no 18º andar. Ali dominaram o advogado Oswaldo D’Asti Luis, de 61. Oswaldo foi espancado pelos bandidos, que ameaçaram atirar em sua boca ou em seu ouvido caso não revelasse onde estava o cofre. "Ele não tinha cofre nenhum em casa, mas os bandidos não acreditavam", afirmou o delegado. Os criminosos ficaram duas horas no prédio e fugiram levando joias em duas caixas de papelão. Pouco depois, libertaram a neta e a nora da empregada doméstica.

O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) foi avisado do crime e uma equipe do grupo de atendimento de locais de crime do Garra foi deslocada para investigar. Os policiais apanharam pistas deixadas pelos ladrões e localizaram o cativeiro em Ferraz de Vasconcelos.

Ali foi preso Osbel, que, segundo a polícia, contou aos policiais que o grupo havia recebido informações sobre a empregada de um vizinho de Célia, que está foragido. Osbel não quis depor. Ele já foi preso antes por roubo, furto e tentativa de homicídio.

Essa foi a primeira prisão em flagrante feita depois que o Deic montou o novo esquema de investigação de roubos a condomínios, em 1º de setembro. De 1º de janeiro de 2008 a 30 de junho deste ano ocorreram 223 roubos considerados "sofisticados" a casas e prédios em São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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