Laboratórios públicos do Brasil poderão produzir Tamiflu

Laboratórios públicos brasileiros vão passar a produzir industrialmente o Tamiflu, medicamento indicado para o tratamento da gripe suína. O acordo, acertado numa reunião feita hoje entre representantes da empresa detentora da patente, a Roche, e do Ministério da Saúde, permite que o País possa encapsular e acondicionar 9 mil quilos do princípio ativo, comprado em 2005 pelo governo.

Agência Estado |

A matéria-prima é suficiente para tratar 9 milhões de pacientes.

Além da demanda interna, o medicamento poderá ser distribuído para países do Mercosul. Tal produção, porém, somente será feita caso haja um aumento significativo do número de casos da doença. A estratégia agora é usar, se necessário, medicamentos prontos comprados diretamente da Roche.

Quando a matéria-prima do Tamiflu foi comprada, a ideia era usar o medicamento em fórmulas magistrais (manipulação). A alternativa, porém, desde o início desagradava o Ministério da Saúde. Embora de execução mais fácil, ela poderia provocar desvios de padrão. Diante desse risco, o ministério pediu ao Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz que desenvolvesse uma tecnologia para produção industrial do remédio. O projeto foi desenvolvido entre 2007 e 2008. Testes feitos pela equipe do laboratórios mostraram que o produto é equivalente ao produto de marca.

"Com o acordo, temos autonomia para fabricar um estoque estratégico, que poderá ser usado diante de uma ameaça de pandemia. Seja provocada pelo vírus H1N1 (da gripe suína), seja pelo vírus H5N1 (da gripe aviária)", afirmou o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério, Reinaldo Guimarães. Durante o encontro, foi negociada somente a produção industrial do remédio. A licença voluntária do medicamento não foi discutida.

Pelo projeto, a produção do Tamiflu ficaria sob a responsabilidade dos laboratórios oficiais das Forças Armadas Brasileiras: Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica (LAQFA), Laboratório Químico-Farmacêutico do Exército (LQFEx) e Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM).

Atualmente, o País tem 12.500 doses para tratamentos para uso imediato, suficiente para atender cerca de 5 mil pacientes doentes e seus familiares. Além disso, o governo está negociando com a Roche a aquisição de mais 800 mil tratamentos prontos. O produto chegará ao País de forma escalonada e custará R$ 30 milhões. A compra de mais um lote do medicamento faz parte da estratégia do governo de preservar a matéria-prima adquirida em 2005. Se permanecer armazenado nos tonéis, o produto pode ser usado até 2016.

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