Kore-Eda aparece como favorito ao principal prêmio em San Sebastián

Héctor Llanos Martínez. San Sebastián (Espanha), 24 set (EFE).- O japonês Hirokazu Kore-Eda se tornou hoje um forte candidato à Concha de Ouro, prêmio principal do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, com o filme Auritemo, auritemo, um drama familiar que escapa do sentimentalismo com doses de humor.

EFE |

O filme japonês foi projetado na sessão oficial do festival, que hoje incluiu um promissor retrato da realidade palestina, "Laila's Birthday", de Rashid Masharawi.

O cineasta japonês esteve dois anos atrás entre os favoritos para ganhar a Concha de Ouro do festival com o filme "Hana" e volta a tentar levar o prêmio máximo do evento com fortes argumentos com "Auritemo, auritemo".

Segundo o cineasta, o longa analisa a falta de comunicação entre pais e filhos "através de objetos cotidianos e sem abusar do melodrama".

Uma melancia e um pijama desencadeiam pequenos eventos que escondem grandes verdades nas 24 horas da vida de um homem que participa de uma incômoda e pouco desejada reunião familiar.

A imbatível figura de seu irmão morto, primogênito do clã, condena ao desleixo sua relação entre pai e filho, embora a imperfeição de seu vínculo afetivo não impeça que mantenha uma herança vital em família com toques de humor e roteiro do próprio Kore-Eda.

Apesar de inspirar boa parte dos diálogos nas lembranças de sua mãe, que morreu há três anos, Kore-Eda não permitiu que "os sentimentos pessoais minguassem a objetividade" do relato, como explicou o cineasta.

Dentro da sessão oficial, Masharawi desenvolve em um filme de 70 minutos um retrato promissor da realidade civil palestina em "Laila's Birthday", na qual toma o olhar de um juiz obrigado a trabalhar como taxista perante a caótica situação de seu país.

Também é necessário um só dia, o do aniversário de sua filha, para que as experiências deste motorista sirvam ao diretor e roteirista para mostrar um país em permanente estado de conflito.

"Após 60 anos de ocupação israelense, é melhor olhar o resultado da violência da ocupação sobre o povo mais do que analisar o conflito em si", contou Masharawi à Agência Efe.

Esta co-produção entre palestinos, holandeses e tunisianos não está isenta de certa ironia em sua proposta, e nela se encontra "o absurdo da situação" apresentado na realidade e em um final promissor acrescentado pelo cineasta.

Masharawi conseguiu se tornar uma figura de peso no circuito internacional de festivais apesar de a indústria cinematográfica palestina "contar com uma única sala de exibição para 4,5 milhões de habitantes", destacou hoje o diretor.

Por isso, "Laila's Birthday" foi gravado sem equipamento técnico específico, mas com aparelhos similares construídos para cada projeto, explicou o cineasta à imprensa em San Sebastián. "Cada filme novo se transforma assim em uma aventura", disse.

Apesar de não se aprofundar tanto no conflito neste filme, Masharawi considera que a disputa interna entre Fatah e Hamas torna impossível uma resolução da situação com Israel: "Se não somos capazes de conseguir a paz entre nós, como vamos fazer com outro país?", questiona. EFE hlm/wr/rr

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