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Kevin Smith leva aos cinemas um pornô diferente

Por Alex Dobuzinskis LOS ANGELES (Reuters) - O sexo foi tema de conversas intermináveis entre os personagens do primeiro sucesso do diretor Kevin Smith, O Balconista, de 1994, mas em seu novo filme, Zack and Miri Make a Porno, o sexo não é apenas algo que é discutido: é mostrado na tela.

Reuters |

"Zack and Miri Make a Porno" estréia nos cinemas norte-americanos na sexta-feira, e é provável que seja visto como o filme mais repleto de sexo de um diretor cuja carreira é marcada pelos temas do sexo e do humor escatológico.

"Procura-se Amy", de 1997, trata de uma mulher que transa com dois homens. "Dogma" (1999) tem um personagem demoníaco feito de fezes. Em "O Balconista", uma mulher transa por engano com um morto no escuro, e, sem entrar em maiores detalhes, sua sequência, "Clerks 2", de 2006, traz um show envolvendo um jumento.

Apesar disso, Smith disse à Reuters em entrevista recente que a questão principal em "Zack and Miri" não é o sexo, mas o amor. O diretor usa o sexo para explorar as vidas e os relacionamentos humanos.

"Para mim, um personagem é plenamente explorado quando você realmente consegue saber muito a seu respeito", disse Smith. "E não existe maneira melhor de conhecer uma pessoa do que saber como é sua vida sexual."

Zack e Miri (Seth Rogen e Elizabeth Banks) não são atores pornô - ou, melhor, não o são até que a falta de dinheiro deixa os dois, que são amigos platônicos, sem água e luz no apartamento que dividem na gélida Pittsburgh.

Então eles pedem a ajuda de alguns exibicionistas ávidos para fazer um filme pornô amador com o qual esperam ganhar dinheiro e aliviar suas dificuldades financeiras.

Zack e Miri prometem um ao outro que fazer sexo diante da câmera não vai prejudicar sua amizade, mas descobrem que fazer um filme pornô é mais complicado emocionalmente do que imaginavam.

"O filme de fato cumpre o que promete seu filme. Zack e Miri realmente fazem um filme pornô", disse o diretor. "Mas, isto dito, o filme não trata realmente disso."

Mas não foi fácil convencer a MPAA, a associação das produtoras de cinema dos EUA, a enxergar o filme sob a mesma ótica do diretor.

Inicialmente a MPAA classificou o filme como NC-17, ou seja, proibido para menores de 18 anos. Essa classificação frequentemente leva o público e os anunciantes a pensar que um filme é pornográfico, mesmo que não o seja aos olhos do conselho de classificação da MPAA.

A classificação acabou sendo reduzida para R, com a qual menores de 18 anos podem assistir a ele, desde que estejam acompanhados de um adulto.

A divulgação do filme, que está sendo distribuído pela The Weinstein Co, vem sendo complicada.

As autoridades da Filadélfia, por exemplo, proibiram anúncios do filme em pontos de ônibus, e os spots de TV divulgam o filme apenas como "Zack and Miri", sem mencionar a parte do título que diz que eles "fazem um filme pornô".

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