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Kathryn Bigelow revela os monstros da guerra em The hurt locker

Antonio Lafuente. Veneza (Itália), 4 set (EFE).- A cineasta Kathryn Bigelow apresentou hoje no Festival Internacional de Cinema de Veneza seu último trabalho, The hurt locker, outro filme americano sobre os monstros gerados pelas guerras.

EFE |

"The hurt locker", que concorre ao Leão de Ouro de melhor filme, mostra o trabalho de uma brigada americana de desarmamento de explosivos - formada pelos atores Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty e Christian Camargo - que atua no Iraque.

O filme parte de uma premissa: "a excitação da batalha é uma arma letal, pois a guerra é uma droga", diz a descrição de um jornalista americano.

A partir daí, Bigelow recria, da forma "mais exata e fiel" que conheceu, segundo afirmou em entrevista coletiva, esta dependência da guerra através de um soldado voluntário que, para sobreviver, precisa da adrenalina liberada pelo risco de morrer a cada vez que desativa uma bomba.

Com a música e os efeitos especiais, Bigelow recria a tensão de um trabalho como este, enquanto tenta refletir sobre este tipo de monstro criado pela guerra, capaz inclusive de abandonar mulher e filhos para renovar voluntariamente seu alistamento.

Como costuma acontecer nos filmes de guerra "made in USA", "The hurt locker" se dedica apenas a uma parte do conflito, a americana.

Bigelow reconheceu isto na entrevista coletiva quando explicou que ela tentou "suprir a falta de informação sobre a Guerra do Iraque na imprensa americana" e, para exemplificar sua afirmação, acrescentou: "Só foi vista uma dúzia de fotografias dos 4 mil soldados mortos".

A cineasta mostra desta forma que em seu filme os soldados americanos são pessoas que têm dúvidas, que sofrem, que amam, que têm filhos, ambições e desejos.

Depois, mostra estes sentimentos um a um em suas reações, em seus equívocos e no que justifica ou não suas ações.

Em "The hurt locker" os iraquianos desempenham papéis muito negativos, pois a maior parte deles não faz mais do que instalar bombas, enquanto o resto são vítimas.

Bigelow não quis comentar durante a entrevista coletiva "se existe mercado" para este tipo de filme em seu país, após que a maioria dos que foram feitos sobre o conflito no Iraque fracassaram nos EUA.

"Sou apenas uma diretora de cinema e não sei nada do mercado", disse antes de acrescentar que, em qualquer caso, o conflito no Iraque a interessa, pois "é uma tragédia".

Em seguida, Bigelow pediu a retirada imediata das tropas americanas do Iraque e se mostrou convencida de que "apenas um homem pode fazer isto", o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama.

Também foi exibido hoje em Veneza "Gabbla", com o qual o franco-argelino Tariq Teguia concorre ao Leão de Ouro de melhor filme.

"Gabbla" conta a história de um topógrafo, Malek, interpretado por Abdelkader Affak, que tem a missão de informar sobre o prolongamento de uma linha de transmissão de energia, mas acaba encontrando uma imigrante clandestina e tenta ajudá-la a atravessar a fronteira a caminho da Espanha.

Segundo o comitê técnico, o filme mostra a tensão interna de Argel, através de Malek, e a externa, mediante o trânsito de imigrantes, narrado de uma forma "contemporânea" ao usar o documentário e o cinema experimental.

Teguia foi mais lacônico sobre seu trabalho ao explicar na entrevista coletiva que quis "retratar o presente com os meios que tinha".

Apesar de a sala estar cheia no início da projeção e ir se esvaziando até o final do filme, alguns críticos disseram que "Gabbla" é excelente e tem grandes chances de ganhar o Leão de Ouro em um festival que viu seu público cair em 12% este ano. EFE alg/wr/fal

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