Kassab promete diálogo sobre restrições a caminhões

Quinze associações que representam os setores do comércio e transportes na cidade de São Paulo se reúnem na próxima terça-feira na Prefeitura, a convite do prefeito Gilberto Kassab (DEM), para discutir a aplicação das restrições a rodagem de veículos de carga na capital paulista. Diálogo foi a palavra de ordem de Kassab hoje, ao confirmar a proibição de caminhões das 5 às 21 horas em uma área de 100 quilômetros quadrados na região central e a inclusão desses veículos no rodízio municipal, nas Marginais Pinheiros e Tietê e na Avenida dos Bandeirantes.

Agência Estado |

"Todos têm legitimidade nas suas manifestações e serão ouvidos", disse o prefeito. "As idéias viáveis serão incorporadas ao decreto."

As restrições entram em vigor 45 dias depois da publicação do decreto, ainda sem data marcada para sair, mas prometido por Kassab para "o mais rápido possível". O perímetro abrange todo o centro expandido, à exceção das duas marginais, Bandeirantes, Zona Cerealista, Pari e parte da Mooca. Será criada ainda uma comissão consultiva para votar exceções às regras.

Depois do anúncio das mudanças, na última terça-feira, a Prefeitura foi alvo de críticas dos setores afetados. A Confederação Nacional de Transportes (CNT) prometeu ontem recorrer ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT), para barrar as restrições. "Não somos os donos da verdade", afirmou Kassab. O prefeito disse que agirá como "autoridade", mas estará aberto ao diálogo. "Vamos aperfeiçoar as medidas para que o resultado seja o melhor possível."

O prefeito comparou as mudanças para veículos de carga às da Lei Cidade Limpa, de janeiro de 2007, que proibiu outdoors e limitou a publicidade nas fachadas do comércio. "Já passei por uma situação muito difícil, que foi a implantação da Lei Cidade Limpa", disse. "Fomos vitoriosos porque tivemos profundo respeito às manifestações e, agora, de novo, não teremos preconceito com nenhuma sugestão." Kassab viu como "positiva" a disposição da CNT em debater as mudanças no trânsito da cidade na Câmara Federal. "Apesar dessa ser uma competência municipal, saúdo todos os que puderem discutir e quiserem oferecer sugestões", disse. "Serão muito bem-vindos."

Resultados

Para o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, os resultados serão sentidos dois meses depois da implantação das alterações. "Os estudos apontaram um bom impacto no trânsito", disse. "Veremos, em uma análise real, esse efeito 60 dias depois de as medidas terem entrado em vigor."

Segundo Moraes, as duas modificações têm como objetivo um uso mais efetivo da infra-estrutura viária da capital. "Os caminhões passarão a entrar na região em um horário fora do pico dos transportes público e particular, ou seja, quando o viário estiver livre", disse. "Quando você não tem mais para onde expandir as vias, precisa melhorar a distribuição horária de uso delas." Kassab reconheceu o peso da decisão da Prefeitura. "É uma medida dura, porém necessária", disse. "O trânsito na cidade de São Paulo chegou a um ponto quase insustentável. Já se tornava irreversível tomar medidas radicais."

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