Kassab lembra o mensalão e diz que é solteiro e feliz

SÃO PAULO - O debate realizado ontem pela Rede Record entre Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT), candidatos à Prefeitura de São Paulo, começou com a marca da nacionalização da disputa. Em lugar dos assuntos locais, os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador paulista, José Serra (PSDB), foram logo invocados.

Valor Online |

A discussão tratou do confronto entre policiais civis e militares na quinta-feira em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. De um lado, Kassab tratou de defender o " espírito público " de Serra, seu mais importante cabo eleitoral - não sem antes fazer a ressalva de que Lula tem investido na cidade -, enquanto Marta disse que o confronto ocorreu pela pouca disposição do governador de negociar com a categoria.

A polêmica peça publicitária petista, que, entre outros pontos, questiona se Kassab é casado e tem filhos, saiu do ar há quase uma semana, mas não dos temas abordados pelos candidatos. Marta, que novamente afirmou que não sabia de sua existência até o momento em que foi veiculada, disse ontem ter ordenado sua retirada do ar.

" O que fizeram foram perguntas que dizem respeito à trajetória do candidato. Quiseram criar uma celeuma com isso " , disse a petista. O candidato do Democrata, antes de discorrer sobre a proximidade de Marta com " os membros do mensalão " , disse que " sou solteiro, sou feliz " .

Como em outros encontros, Kassab tentou associar a adversária à imagem de quem criou taxas excessivamente durante sua administração (2000-2004). " Criou a taxa do lixo, da luz, do asfalto, o IPTU progressivo e quis criar a taxa do elevador. Até a taxa da coxinha " , disse.

Marta, por sua vez, também em estratégia já adotada outras oportunidades, procurou ligar a imagem de Kassab à do ex-prefeito Celso Pitta, do qual o atual prefeito foi secretário de Planejamento. Quando tratava da administração de Pitta, Marta, mais de uma vez, dizia ter sido a administração do candidato do Democrata.

Ao contrário do que ocorreu em debates anteriores na TV, os caciques da campanha petista demoraram para chegar ao estúdio da Rede Record. No primeiro turno, quando Marta Suplicy liderava com folga, os principais nomes da campanha compareciam ao local do embate com pelo menos uma hora de antecedência para conversar com correligionários e mesmo com os adversários.

Ontem, o deputado Carlos Zarattini, coordenador da campanha, e os deputados Rui Falcão e Jilmar Tatto chegaram à TV a 15 minutos do início do debate. Aldo Rebelo, vice na chapa encabeçada pelo PT, chegou ao estúdio no momento do início do debate, quando também compareceu o senador Eduardo Suplicy. O senador Aloizio Mercadante e o presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, não foram ao debate.

Do lado da candidatura do DEM, que já ocupava todos os assentos reservados a ela na platéia a 40 minutos do início do programa, o clima era de maior confiança. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) conversava demoradamente e de forma animada com ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB). Os assentos na platéia para os correligionários do PT só foram totalmente ocupados depois do início da transmissão.

Nada que alterasse o entusiasmo da candidatura petista, ao menos no discurso. " Hoje [ontem] o Palmeiras empatou com o São Paulo a nove minutos do fim da partida. Os nove minutos podem ser sete dias na eleição. Ainda dá para brigar " , disse o deputado estadual Rui Falcão, companheiro de chapa de Marta na campanha de 2004.

(Patrick Cruz e Paulo Totti | Valor Econômico)

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