Aliado do governador paulista, José Serra (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse hoje que fará o possível para que o tucano concorra à Presidência da República em 2010. Serra disputa com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a indicação do PSDB.

"Acredito que Aécio será presidente um dia, mas torço pelo governador José Serra. Gostaria muito de vê-lo candidato e de vê-lo eleito presidente", afirmou Kassab ao chegar para a inauguração de uma escola municipal na zona norte da capital paulista. "O que eu puder fazer para que Serra seja candidato, o que estiver ao meu alcance, eu farei."

O prefeito se contrapôs à opinião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressa em entrevista hoje ao jornal "Folha de S.Paulo", de que o favoritismo de Serra para 2010 não passa de recall de outras eleições. "No caso de Serra não é recall, é a avaliação da população em relação ao seu desempenho e à torcida para que seja presidente. Quarenta e um por cento das pessoas querem que Serra seja presidente, não candidato", disse, em referência à pesquisa encomendada pelo PSDB, na qual Serra, tendo como vice Aécio, aparece em primeiro lugar com 41% de intenção de voto.

Apesar da pressão do DEM para que o PSDB antecipe a definição do candidato a presidente, Kassab mostrou sintonia com Serra, que só quer anunciar a decisão em março do ano que vem. "Vejo as pressões com naturalidade. É como time de futebol: a torcida quer ver logo seu time em campo, fica naquela ansiedade", disse. "Acho correto pensar na candidatura em janeiro ou fevereiro, como Serra tem dito. Pressões não enfraquecem ninguém. Respeito quem tenha opinião diferente da minha dentro do DEM."

O prefeito comentou ainda a afirmação de Lula de que, no Brasil, Jesus teria de se aliar a Judas para criar coalizão. "O presidente quis justificar suas alianças. Aqui na Prefeitura de São Paulo, eu não faço aliança a qualquer custo." Kassab avaliou como "natural" a aliança entre PT e PMDB no âmbito nacional e o fato desse elo não se repetir regionalmente. "Em São Paulo temos uma aliança também natural com o PMDB, explicável e correta. Não vejo incompatibilidade no PMDB ter aliança aqui com o governador José Serra e, nacionalmente, com Lula."

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