Justiça trabalha com orçamento de R$ 4 bi para segurança na Copa

Valor ainda pode ser ampliado após conclusão de negociações com os Estados, que também entrarão com contrapartidas

Severino Motta, iG Brasília |

Foi entregue na segunda-feira ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o orçamento previsto para a segurança da Copa do Mundo de 2014. De acordo com o Secretário Executivo da pasta, Rafael Favetti, que preside o Grupo de Trabalho da Copa, o valor orçado no momento é de R$ 4 bilhões.

“Hoje falamos em R$ 4 bilhões para a Copa e backup para as Olimpíadas. O valor ainda é preliminar pois nem todas as conversas com os Estados estão fechadas. Há locais em que haverá mudança no governo e entre janeiro e fevereiro devemos fechar as contrapartidas dos Estados e ter um valor atualizado”, explicou.

O backup a que se refere é o compartilhamento de informações que serão geradas pelo Centro de Comando e Controle Integrado para a segurança dos jogos. A intenção é deixar o Rio de Janeiro com programas e estratégias preparadas para a realização das Olimpíadas de 2016.

De acordo com Favetti, a segurança da Copa do Mundo está dividida em quatro universos dentro do ministério da Justiça. O primeiro diz respeito à Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), que promove o diálogo com as forças policiais e do corpo de Bombeiros nos Estados.

“Discutem segurança no perímetro dos estádios, para o deslocamento de atletas e torcedores. Definem onde vai haver policiais, bombeiros e planejam reações para o caso de incidentes”, explicou.

O segundo universo está ligado à Polícia Federal, que comanda a entrada e saída de estrangeiros e, em parceria com a Interpol, trabalha na prevenção de ataques terroristas. O terceiro diz respeito à Polícia Rodoviária Federal, que envidará esforços nas fronteiras terrestres, uma vez que um grande fluxo de turistas do cone sul, e principalmente da Argentina, é esperado.

O quarto universo representa a coordenação desses esforços e é gerido por Favetti através do Comitê Especial de Segurança Pública para a Copa e Olimpíadas.

Dentro do orçamento global de R$ 4 bilhões para a Copa constam recursos para a integração das forças de segurança nos Estados e promoção de cursos de aperfeiçoamento, em alguns casos com parcerias internacionais.

De acordo com o ministro Barreto, sete cursos em parceria com as agências de segurança dos Estados Unidos foram realizados. Israel também faz parte dos parceiros que vão treinar policiais e agentes de segurança do Brasil.

“Quando assinamos o acordo com a FIFA fizemos compromisso com ela e com nossas instituições para ter segurança pública invisível e extremamente eficiente (...) [Teremos] uma policia já preparada para o enfrentamento e para o cuidado de um evento dessa natureza. Uma policia mais voltada em termos de treinamento e uso da tecnologia para o que chamamos de policia do século 21”, disse Barreto.

O ministro ainda destacou que um dos pontos mais importantes para a segurança da Copa é a “verdadeira integração nacional” das forças nacionais e locais, começando na “inteligência e acabando na ponta operacional”.

Rio de Janeiro

O Secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério, Ricardo Balestreri, se reuniu na segunda-feira com o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, para discutir os preparativos para a Copa de 2014.

Segundo Balestreri, o Rio tem experiência na realização de grandes eventos. Ele acredita que, devido a isso, não devem ser registrados episódios de violência durante os jogos. “A cidade tem larga tradição de grandes eventos sem conflitos, tem o know how para isso, acredito que não haverá problemas”.

O Secretário ainda comentou que os ataques registrados desde o fim de semana são uma reação de bandidos contra a política de segurança. “Os crimes de agora são uma reação dos bandidos contra a política de segurança. O crime vai reagir, não dá para imaginar que o crime sairia docilmente. O período [de ataques] vai ser encerrado antes da Copa. O que está havendo é a resposta dos criminosos para algo que está dando certo. O Brasileiro tem que ter isso claro”.

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