Justiça tenta demolir "desastre anunciado" na capital do Maranhão

Tribunal quer destruição do prédio, localizado em área nobre de São Luís, mas prefeitura ainda não decidiu quando cumprirá decisão

Wilson Lima, iG Maranhão |

Wilson Lima/iG Maranhão
Prédio em São Luís, capital do Maranhão, pode desabar a qualquer momento
O desabamento das obras do edifício Real Class, em Belém (PA) , chamou a atenção para vários outros prédios que também correm o risco de desabamento em todo o Brasil. Em São Luís, por exemplo, o Ministério Público Estadual (MPE) tenta há 13 anos, sem sucesso, demolir um prédio de sete andares cuja estrutura foi condenada pelo Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia do Maranhão (Crea-MA) ainda na década de 1990.

A construção fica no bairro São Francisco, uma das zonas nobres de São Luís, e concentra alguns dos principais pontos comerciais da capital maranhense. O prédio, que ficou conhecido como “Balança mas não cai”, começou a ser construído no início dos anos 90 ela empresa SL Construções e Incorporações Limitada, de Fortaleza (CE). Dois anos depois a construção foi abandonada e, mais tarde, o Crea emitiu laudo técnico afirmando que o local corria disco de ruir a qualquer momento.

Diante desse cenário, em 1998 o Ministério Público Estadual (MPE) impetrou ação civil pública requerendo que a prefeitura de São Luís destruísse o prédio. O caso arrastou-se pela justiça maranhense e, somente em 2007, o juiz Jorge Figueiredo do Anjos, da 3ª Vara da Fazenda Pública, determinou que o prédio fosse demolido. No ano passado, a prefeitura de São Luís recebeu uma notificação do Ministério Público Estadual determinando o cumprimento da decisão judicial. Até o momento, a prefeitura da capital maranhense ainda não se manifestou sobre a demolição da obra. Estima-se que o processo de derrubada do imóvel custe, aproximadamente, R$ 700 mil.

Enquanto não se tem uma definição sobre a derrubada do prédio, moradores de rua invadiram o local nos últimos anos. Cerca de 20 pessoas habitam o prédio. Todos são guardadores de veículos do bairro São Francisco. Moradores alegam que eles têm ligação com crimes que ocorrem na região, como assaltos ou tráfico de drogas. Os moradores negam.

Luís Carlos Lima é um desses moradores. Ele vive sozinho no último andar do prédio. Tem apenas um fogareiro, uma televisão cuja energia é improvisada e poucos itens. Sobrevive de bicos e afirma que não tem outro lugar para ir. “Enquanto não temos uma opção, ficamos por aqui mesmo”, declara. “Esse prédio não vai desabar nunca. Se não caiu até hoje, não cairá mais. Nem mesmo quando chove eu tenho medo. Confesso que só me assusto mesmo com trovão. Mas aí, até gente rica se assusta”, complementa.

O prédio, hoje, está com fiações expostas e algumas paredes já caíram. Mato e lixo acumulam-se naquilo que deveria ser o pátio do imóvel. “Isso é uma tragédia anunciada. Muitos já alertaram, mas nada é feito”, resigna-se Maria Letícia Santos, vizinha do “Balança mas não cai”.

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