Justiça suíça nega pedido de liberdade sob fiança a Roman Polanski

ZURIQUE ¿ O ministério suíço de Justiça recomendou nesta terça-feira (06) ao Tribunal Penal Federal a rejeição do pedido de liberdade condicional do cineasta Roman Polanski, detido há mais de uma semana sob acusação de ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977, nos Estados Unidos.

Redação com agências |

AP

O diretor Roman Polanski

"Pedimos ontem ao Tribunal Penal Federal que rejeite o recurso de Polanski", declarou o porta-voz do ministério, Folco Galli. "O argumento principal é que estamos convencidos de que existe um grande risco de fuga do território suíço", acrescentou.

Ele destacou ainda que o ministério decidiu não aceitar o segundo recurso apresentado pelos advogados do diretor franco-polonês. "Em nossa visão, ainda há um alto risco de que ele fuja e que uma liberdade sob fiança ou outra medida após a libertação não garanta a presença de Polanski no procedimento de extradição", disse Galli.

O diretor de 76 anos e vencedor do Oscar, que possui cidadania polonesa e francesa, foi preso a pedido dos Estados Unidos quando voou para a Suíça no dia 26 de setembro para receber um prêmio pelo conjunto de sua obra em um festival de cinema.

Os advogados de Polanski tinham apresentado um recurso ao Escritório Federal de Justiça, pedindo que reconsiderasse sua prisão devido a um mandado de extradição dos EUA. Eles também registraram um recurso junto à Corte Penal Federal Suíça, que ainda pode decidir libertar Polanski sob fiança.

"Essa recomendação é decepcionante, mas não nos surpreende. Vamos aguardar para ver o que decidem os juízes, os magistrados em cortes independentes", afirmou Hervé Temime, um dos advogados do diretor.

"Queremos dizer aos tribunais suíços que Roman Polanski se comprometeu a permanecer na Suíça durante esse processo e atender a todos os pedidos que lhe forem feitos", prosseguiu Temime. "Esperamos que os juízes suíços possam ignorar esse linchamento na mídia, que não guarda relação alguma com justiça."

Em 1977, Polanski declarou-se culpado de ter feito sexo com uma menina de 13 anos, mas fugiu dos EUA na véspera do anúncio de sua sentença, em 1978, porque acreditou que um juiz norte-americano pudesse passar por cima do acordo extrajudicial que tinha fechado e pudesse condená-lo a 50 anos de prisão. O cineasta, que recebeu o Oscar de melhor diretor pelo filme "O Pianista" (2002), sobre o Holocausto, também foi acusado de dar drogas e álcool à menina.

As autoridades norte-americanas têm até 60 dias para formular um pedido firme de extradição, mas Polanski poderá apelar junto aos tribunais suíços. Fontes judiciais americanas já disseram que, se Polanski o contestar, o complexo processo de extradição poderá se arrastar por anos.

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