O Tribunal Penal Federal (TPF) da Suíça ordenou nesta quarta-feira a libertação sob fiança do diretor de cinema Roman Polanski, preso há dois meses naquele país, uma decisão contra a qual o ministério da Justiça deverá recorrer.

A fiança para a libertação de Polanski, 76 anos, preso na Suíça após a formulação pelos Estados Unidos de uma demanda de extradição, foi definida em 4,5 milhões de francos suíços (3 milhões de euros), destacou em comunicado o TPF de Bellinzone, sul da Suíça.

"A Corte considerou que a fiança de 4,5 milhões de francos suíços, combinada com outras medidas (entrega dos documentos de identidade, prisão domiciliar e vigilância eletrônica) limita drasticamente o risco que fuga, ainda qualificado de elevado", explicou o TPF.

"A Corte também considerou que esta soma representa uma parte significativa da fortuna do réu que, devido à idade avançada, provavelmente não terá a possibilidade de acumular novamente uma quantia semelhante", acrescentou o Tribunal.

Questionado pela AFP, o porta-voz do Departamento federal (Ministério) da Justiça, Folco Galli, confirmou a aprovação pelo TPF do recurso apresentado por Polanski contra a decisão tomada em 30 de outubro de rejeitar a libertação sob fiança.

A decisão do TPF pode ser objeto de um recurso nos dez próximos dias. O ministério da Justiça "vai decidir rapidamente se vai recorrer ou não da decisão no Tribunal Federal" de Lausanne, a mais alta instância da justiça suíça, destacou.

O francês George Kiejman, um dos advogados de Polanski, se disse "muito feliz" com a sentença. "Isso me parece natural, e é um grande motivo de satisfação", acrescentou.

De acordo com o advogado, Polanski "vai tomar conhecimento da fiança pedida pela justiça suíça e deverá em seguida ficar em prisão domiciliar em Gstaad, onde possui um chalé".

Os advogados do cineasta entraram no dia 3 de novembro com um recurso contra a decisão judicial de rejeitar por duas vezes a libertação de Polanski alegando "altas probabilidades de fuga".

Roman Polanski, premiado com o Oscar do melhor diretor (2003) e a Palma de Ouro do Festival de Cannes (2002) pelo filme "O Pianista", é procurado pela justiça americana por ter mantido relações sexuais com uma menor de 13 anos em 1977.

Em 23 de outubro, o cineasta avisou que recusaria sua extradição para os Estados Unidos.

Polanski chegou a oferecer seu chalé de Gstaad como pagamento da fiança, mas a proposta fora recusada por não corresponder aos critérios legais.

Segundo fontes judiciais americanas, o advogado do diretor de cinema franco-polonês vão pedir a absolvição de seu cliente em 10 de dezembro numa corte de apelações de Los Angeles (Califórnia, oeste dos EUA).

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