A Justiça Federal decretou ontem prorrogação da prisão temporária, por mais 5 dias, do empresário Marcos Valério, réu do mensalão que a Operação Avalanche prendeu sexta-feira como suposto articulador de um esquema de corrupção e quadrilha para forjar inquérito contra dois fiscais da Fazenda de São Paulo que autuaram em R$ 104,54 milhões a Cervejaria Petrópolis - cujo presidente, Walter Faria, é seu amigo. A ordem para manter Valério na Custódia da Polícia Federal em São Paulo é da juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Criminal Federal.

Ela acolheu representação do procurador da República Roberto Antonio Dassié Diana, que endossou relatório da PF e alertou para a "extrema e comprovada necessidade" da prisão de Valério. A medida é extensiva aos advogados Rogério Tolentino, sócio de Valério, e Eloá Leonor Veloso, que teria participado do plano de suborno dos delegados Antônio Hadano e Silvio Salazar, da PF de Santos, onde foi aberto o inquérito contra os fiscais.

"A representação é pertinente, uma vez que seus interrogatórios foram realizados sem que a autoridade policial tivesse acesso a todo o material apreendido", destacou a juíza. "Evidente que o cotejo do teor das oitivas com o resultado da apreensão mostra-se imprescindível e necessário às investigações."

"Não há necessidade dessa prorrogação", reagiu o criminalista Marcelo Leonardo, defensor de Valério. "O delegado pode intimar (Valério) para ser ouvido de novo todas as vezes que achar necessário. (Valério) já prestou mais de 30 depoimentos ao longo desses 3 anos a autoridades e instituições diversas. Sempre esteve à disposição. Não vejo motivo para manutenção da temporária. Não há nenhum envolvimento dele nesses fatos." A cervejaria informa que "está à disposição das autoridades". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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