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Justiça nega habeas-corpus a suposto braço direito de Daniel Dantas

SÃO PAULO - A desembargadora Ramza Tartuce, do Tribunal Regional Federal de São Paulo, negou, na sexta-feira, o pedido de habeas-corpus do consultor e suposto braço direito de Daniel Dantas, Humberto Braz. A decisão, divulgada nesta segunda-feira pela assessoria do Tribunal, impede que Braz deixe a cadeia de Tremembé, onde está preso por supostamente tentar subornar com US$ 1 milhão o delegado federal Vítor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, que participou das investigações da Operação Satiagraha.

Redação |



AE
Banqueiro Daniel Dantas
Banqueiro Daniel Dantas

Segundo a PF, Braz teria tentado o suborno para livrar o banqueiro, a irmã e o filho das investigações sobre corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, dentre outros crimes investigados.

Conversa com Dantas

Uma das principais provas da Polícia Federal para acusar o banqueiro Daniel Dantas como mandante da tentativa de suborno é uma conversa mantida pelo controlador do Grupo Opportunity com Braz.

Segundo informações da PF, eram 15h43 do dia 29 de abril quando o próprio banqueiro telefonou para o homem apontado como o responsável pelas ações de espionagem do grupo.

Dantas menciona o que, segundo a PF, seriam os nomes de duas outras pessoas envolvidas na tarefa de buscar uma aproximação com o coordenador da Operação Satiagraha.

A operação começava a ser gestada na Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Superintendência da PF em São Paulo. Uma dessas pessoas é tratada como Chico e a outra como Aline - a PF tenta identificá-los.

Dantas menciona uma discussão no grupo sobre o assunto - três dias antes, a investigação sigilosa contra o banqueiro havia sido noticiada pelo jornal Folha de S.Paulo . Seu grupo tentava descobrir, conforme mostram as escutas, quem estava conduzindo a apuração e onde estava sendo feito o inquérito. Queriam ter acesso às provas e saber o alcance da investigação.

Banqueiro indiciado

O banqueiro Daniel Dantas e mais nove pessoas ligadas ao Grupo Opportunity foram indiciados, na última sexta-feira, por formação de quadrilha e gestão fraudulenta, segundo o advogado Nélio Machado.

O indiciamento foi feito pelo delegado Protógenes Queiroz, que, após a saída, do banqueiro leu uma carta onde diz que deixa o caso "cumprindo determinação" do presidente Lula.

Para o advogado do banqueiro, o indiciamento não é válido e que "formação de quadrilha não é nada". Dantas prestou depoimento na sede da Polícia Federal em São Paulo e deixou o prédio por volta das 19h50. Este foi o terceiro depoimento do banqueiro. 

Dantas deixou a Polícia Federal acompanhado de seus advogados e não falou com a imprensa. Ele chegou ao prédio por volta das 14h20, com vinte minutos de atraso já que o depoimento estava marcado para às 14h.

De acordo com uma nota divulgada pela PF, as pessoas que prestaram depoimento nesta sexta foram: Verônica Valente Dantas (esposa de Daniel Dantas), Carlos Bernardo Torres Rodenburg, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, Dório Ferman, Danielle Silbergleid Ninio. Todas elas fazem parte do Grupo Opportunity.

O indiciamento é o ato final do trabalho do policial. Depois que o relatório é finalizado, ele é analisado pelo Ministério Público Federal, que decide se apresenta ou não denúncia à Justiça Federal.

Perícia em documentos

A análise dos documentos apreendidos nas casas e escritórios do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito Celso Pitta e de mais 21 investigados na Operação Satiagraha deverá consumir cerca de quatro meses de trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, segundo informações do jornal "Folha de S. Paulo" desta segunda-feira.

De acordo com a publicação, a PF irá periciar o que estima ser uma tonelada de papéis e equipamentos -resultado das 56 ordens de busca e apreensão cumpridas por cerca de 300 agentes no último dia 8, quando a operação foi deflagrada.

O cronograma de análise desse material será definido, nesta segunda-feira, pelo procurador da República Rodrigo de Grandis e pelo delegado da PF Ricardo Saadi, que assume hoje o comando dos inquéritos no lugar de Protógenes Queiroz.

Ainda segundo o jornal, a Operação Satiagraha foi subdivida em quatro inquéritos, que enfocam diferentes crimes -a maioria dos indícios que embasam cada uma das apurações surgiu nas conversas telefônicas e telemáticas que vinham sendo gravadas pela polícia desde o início de 2007.

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