Justiça manda prender 13 por suspeita de integrar quadrilha que extorquia camelôs

SÃO PAULO - A Justiça mandou prender, nesta sexta-feira, 13 pessoas suspeitas de envolvimento com um esquema de extorsão de camelôs na região da Mooca, Brás e Pari, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo. A Unidade de Inteligência Policial investigou a quadrilha por quatro meses até deflagrar a operação.

Redação |


AE/José Luis da Conceição
Polícia prende dois envolvidos na Moóca

Os policiais já cumpriram 11 dos 13 mandados de prisão temporária expedidos. Foram presos na operação, 5 camelos, 4 fiscais, um advogado e um assessor da subprefeitura da Móoca.

A SSP informou que, na casa dos presos foram encontradas maconha e cocaína. A quantidade não foi informada.

Os suspeitos de integrarem a quadrilha permitiriam que camelôs ilegais trabalhassem livremente mediante pagamento. Segundo um camelô, que se identificou apenas como Noel, os ilegais pagariam semanalmente aos fiscais quantias a partir de R$ 10 para poder trabalhar. O valor variava de acordo com a mercadoria comercializada.

As denúncias das ações da máfia foram feitas ao Ministério Público, que informou que irá conceder uma entrevista coletiva nesta sexta-feira sobre o assunto. As primeiras informações apontam que o os envolvidos no esquema chegavam a faturar R$ 560 mil irregularmente por mês.

O esquema era realizado de duas formas, segundo a polícia. Uma delas envolve a cobrança de propina de vendedores de lanches que operavam em trailers sem licença. Segundo a denúncia, os ficais da Mooca cobravam R$ 3 mil pelo ponto além de taxas mensais para poderem vender os produtos.

A outra forma de ação ilícita consistia na extorção de dinheiro de vendedores ambulantes que não tinham documentação adequada. Em caso de não pagamento da propina, os fiscais passavam a perseguir os camelôs e "revendiam" o ponto para outros comerciantes.

Outro lado

A assessoria da Secretaria das Subprefeituras informou, em nota, que não recebeu nenhuma denúncia envolvendo funcionários da Subprefeitura da Mooca como mostra a matéria do SPTV. Estamos buscando as informações para que possamos tomar as providências necessárias, diz o comunicado da secretaria.

De momento, informamos que, como tem sido hábito desde o primeiro dia desta gestão, qualquer denúncia será investigada com rigor para que os fatos sejam esclarecidos, e, se constatadas irregularidades, sejam tomadas as medidas cabíveis

Nova máfia dos fiscais

Há dez anos, com a ajuda de camelôs, o Ministério Público de São Paulo conseguiu desmontar o maior esquema de corrupção já visto na capital. Na época, foi descoberto que vereadores indicavam subprefeitos, que atuavam com fiscais que exigiam o pagamento de propina. Várias prisões foram denunciadas e 600 pessoas foram denunciadas.

O esquema ocorreu inicialmente na administração Celso Pitta - que foi preso na operação Satiagraha, da PF - de 1993 a 1998.

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