Justiça manda Exército desocupar Morro da Providência imediatamente

RIO DE JANEIRO - A juíza da 18ª Vara Federal, Regina Coeli de Medeiros de Carvalho Peixoto, decidiu nesta quarta-feira pela retirada imediata das tropas do Exército do Morro da Providência, na área central do Rio de Janeiro. Pela decisão, ela mantém o corpo técnico militar que atua nas obras do Projeto Cimento Social, mas decidiu que a proteção aos equipamentos e funcionários seja feita pela Força de Segurança Nacional (FSN).

Agência Estado |


AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
A Advocacia Geral da União (AGU) informou que tão logo seja acionada pelo Ministério da Defesa  vai recorrer da decisão da juíza . Até o momento, porém, o Ministério da Defesa não foi notificado da decisão da Justiça.

No sábado, três jovens da Previdência desapareceram e seus corpos só foram encontrados no dia seguinte, em um lixão em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os jovens teriam desacatado soldados do Exército no morro que, como punição, os entregaram à uma facção rival do Morro da Mineira, na zona norte da cidade. Os 11 militares suspeitos estão presos no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, também na zona norte da capital fluminense.

"Ato insano"

Agência Estado
"Judas" com farda foi colocado na Providência
Nesta quarta-feira, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a morte dos três jovens na cidade do Rio de Janeiro, foi um ato insano .

Antes da decisão judicial, Lula não havia descartado a hipótese do Exército desocupar a comunidade, porém afirmou que teria cautela na decisão.

Se for necessário, sai. Mas isto nós vamos discutir com calma. Temos que ser cautelosos, não é por causa de um erro gravíssimo e abominável que temos que tomar medidas precipitadas. O presidente conversa ainda hoje com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para ouvir um relato das investigações sobre o caso.

Jobim, visitou, na terça-feira o Morro da Providência e evitou falar sobre eventual retirada. O ministro enfatizou no entanto que as obras do PAC têm que continuar e disse que o Exército não deixaria o local imediatamente .

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

(com informações da Agência Brasil)

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