Justiça do Rio condena 11 integrantes da máfia dos caça-níqueis

RIO DE JANEIRO - A 4ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro condenou nesta quarta-feira 11 dos 43 integrantes da máfia dos caça-níqueis a penas que variam de quatro a 18 anos de reclusão em regime fechado. Os outros denunciados pelo Ministério Público Federal ainda aguardam julgamento. Os contraventores Fernando de Miranda Iggnácio e Rogério Costa de Andrade e Silva foram condenados a 18 anos de reclusão por formação de quadrilha armada, corrupção ativa e contrabando. Eles chefiavam grupos criminosos cuja rivalidade pelo domínio do jogo ilegal já causou dezenas de mortes na zona oeste do Rio.

Redação |

Entre os agentes públicos condenados a sete anos de prisão e à perda do cargo, estão os policiais civis Hélio Machado da Conceição, Fábio Menezes de Leão e Jorge Luís Fernandes, conhecidos como grupo dos inhos, pelos crimes de formação de quadrilha armada e corrupção passiva. A sentença reconheceu que os três inspetores, ligados ao ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins, atuavam em prol dos interesses da quadrilha de Rogério Andrade.

A Justiça também concluiu que o coronel da PM Celso Lacerda Nogueira, então comandante do 14º BPM (Bangu), participava da quadrilha de Fernando Iggnácio, tendo sido também condenado a sete anos de reclusão, além da perda do cargo.

Os outros condenados são o contador Carlos Henrique de Jesus (cinco anos e três meses), o auxiliar de contador Lúlio César da Silva Cruz (quatro anos e quatro meses), o policial civil Paulo César Oliveira (11 anos e três meses e perda do cargo), o ex-policial federal Paulo Cézar Ferreira do Nascimento, vulgo Padilha (15 anos e seis meses), e o contador César Augusto Burgos Medeiros (15 anos e três meses).

Segundo a Justiça, todos os bens apreendidos e sequestrados, inclusive valores depositados em contas e aplicações bancárias, serão entregues à União por considerá-los instrumentos e produtos dos crimes. A sentença também impôs a imediata destruição das máquinas caça-níqueis apreendidas, sendo que seus componentes eletrônicos podem ser aproveitados pela Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) para serviços na área de educação em informática e inclusão digital.

Os acusados poderão recorrer da sentença em liberdade porque o juiz responsável pela decisão reconheceu que as prisões preventivas foram revogadas por instâncias superiores, por excesso de prazo na conclusão do processo. O MP Federal, no entanto, deve recorrer. Apesar dos principais acusados ainda estarem presos por outros processos criminais, os procuradores pretendem pedir ao Tribunal Regional Federal o restabelecimento das prisões de todos, já que, segundo eles, persistem os motivos da custódia cautelar.

Os acusados foram denunciados à Justiça em dezembro de 2006 por atuarem em duas organizações criminosas formadas por bicheiros, policiais militares e civis, contadores, advogados e um jornalista. As investigações foram feitas pela Polícia Federal a partir de monitoramentos telefônicos autorizados judicialmente.

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