Justiça diz que assassino confesso de jovens em Goiás teve avaliação psicológica

A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal divulgou nesta segunda-feira uma nota na qual afirma que foram tomadas todas as cautelas antes de garantir ao pedreiro Admar Jesus da Silva o direito de progredir para o regime aberto. Ele tinha sido condenado a 10 anos e 10 meses de reclusão pelos crimes de atentado violento ao pudor em Brasília.

iG São Paulo |

Assassino confesso, Silva foi preso no final de semana sob a suspeita de envolvimento com o assassinato de seis meninos na cidade goiana de Luziânia. De acordo com a nota divulgada no site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o suspeito recebeu acompanhamento psicológico e psiquiátrico antes de receber o benefício da progressão de regime.

AE
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De acordo com a Vara, um relatório psicológico informou que ele sempre se apresentou com polidez e coerência de pensamento e demonstrou crítica sobre os comportamentos a ele atribuídos.

O relatório psiquiátrico teria comunicado, segundo a vara, que ele "não demonstra possuir doença mental, nem necessitar de medicação controlada e que a continuidade de atendimento psicológico fica condicionada à avaliação de tal necessidade por parte do psicólogo do sistema prisional."

A nota sustenta que a Vara não praticou nenhuma ilegalidade. "Mas, infelizmente, não há como antever que certos condenados agraciados com benefícios externos ou a progressão para o regime menos rigoroso irão cometer atos tão graves como os noticiados recentemente pela mídia, e a atitude do sentenciado acima nominado não deve resultar em prejuízo para as centenas de condenados que cumprem regularmente a sua punição", conclui a Vara na nota.

Depoimento à CPI

Admar de Jesus prestou mais um depoimento na tarde desta segunda-feira. Desta vez para os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pedofilia.

No depoimento, Admar, também pedófilo confesso, fez novas revelações, a principal delas foi a de que teve relações sexuais com os seis garotos antes de assassiná-los e não apenas com dois, como havia revelado na entrevista concedida pela manhã. A principal prova disso é que todos os corpos foram enterrados nus e apresentavam sinais de violação. Interrogado sobre isso, ele acabou confessando.

Mais cedo, de acordo com o delegado de Luziânia, Josuemar Vaz, tudo o que o pedreiro diz entrevista é mais uma versão dos acontecimentos e deve ser analisado a partir da sua condição piscológica. "O que ele diz deve ser ouvido com reservas. Pela conversa que tive com ele no sábado e pelo o que ele falou hoje, a gente percebe que em muitos momentos ele não fala coisa com coisa. O depoimento dele deve se adequar com a provas técnicas que temos do caso", afirmou em entrevista ao iG .

Na saída do interrogatório dado à CPI, que foi realizado na Secretaria de Segurança, em Goiânia, na presença dos delegados que comandam o inquérito, o senador Demóstenes Torres informou que vai trabalhar, no Congresso, para a aprovação de algumas medidas para agravar as penas de quem comete crimes hediondos e impedir que saiam da cadeia bandidos com histórico de pedofilia e de abusos sexuais.

Um dos projetos, já em tramitação no Congresso, torna obrigatório o laudo criminológico (hoje facultativo), no qual está incluída avaliação psiquiátrica, com base no qual o juiz pode soltar um preso psicopata. Outro projeto que também tramita no Legislativo prevê que a progressão da pena para quem comete crimes hediondos só ocorra após cumpridos dois terços da pena.

Demóstenes reclamou que a medida ainda não entrou em vigor porque o governo foi contra sua aprovação, num primeiro momento, porque, segundo ele, tem uma política voltada para soltar presos em vez de investir na construção de presídios. O terceiro projeto destina-se a implantar o monitoramento eletrônico de detentos que mudam regime de pena. O monitoramento se daria por meio de pulseiras e tornozeleiras eletrônicas.

Demóstenes e Magno Malta informaram que vão convocar para depor no Congresso tanto o juiz que soltou Admar quanto o psiquiatra que emitiu o laudo que atestava que o criminoso sofria de grave doença psiquiátrica, era perigoso e estava inabilitado para voltar ao convívio social sem o tratamento adequado.

*com informações da Agência Estado

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