Justiça determina prisão preventiva de policiais militares do Rio de Janeiro

No final da tarde desta sexta-feira, a 1ª Auditoria de Justiça Militar determinou a prisão preventiva do capitão da Polícia Militar (PM) Dennys Leonard Nogueira Bizarro e do cabo Marcos Oliveira Sales. O pedido foi feito pelo Ministério Público Militar. Eles estão presos administrativamente, mas seriam soltos ainda nesta sexta-feira.

Agência Estado |


Os policiais são acusados de omissão na morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João da Silva, assassinado na madrugada de domingo após um assalto. Eles ainda teriam levado os pertences da vítima, que já tinham sido roubados pelos criminosos. Os assassinos não foram presos.

O delegado da 1ª Delegacia de Polícia, José Luiz Silva Duarte, disse que, por enquanto, não irá chamar os dois PMs novamente para depor. Segundo ele, os crimes dos policiais estão sendo investigados pela corporação. Até esta tarde, o Disque-Denúncia havia recebido oito denúncias sobre os assaltantes. Até o final do dia, eles ainda não haviam sido capturados.

O pedido do Ministério Público Estadual fundamenta-se no Inquérito Policial Militar instaurado para apurar a conduta dos PMs. O documento ressalta que as imagens gravadas em câmeras de segurança indicam que os policiais abordaram dois indivíduos logo após o crime de latrocínio (roubo seguido de morte) e sem qualquer razão liberaram estas pessoas, ficando com os pertences da vítima do delito.

De acordo com a promotoria, a vítima agonizava a curta distância da abordagem e os referidos militares não providenciaram o socorro a que estavam obrigados por lei.

O Ministério Público considera que há indícios de cometimento de crime militar pelos policiais, estando presentes a materialidade do crime e fortes indícios da autoria. Lamentavelmente tal prática incute na sociedade a ideia de que não estamos mais seguros nem mesmo ao lado da polícia, conclui o pedido de prisão

Impotência

Nesta sexta-feira, o coordenador de percussão do AfroReggae, Anderson Elias dos Santos, o Dada, uma das primeiras pessoas a chegar ao local do crime, disse que o coração de Evandro ainda batia 50 minutos depois de ele ter sido baleado. "O policial falou que era normal o coração continuar batendo", disse Dada.

Dada contou que estava em casa quando recebeu um telefonema dizendo que o amigo tinha sido baleado. Ele chegou na esquina da Rua do Carmo com a Rua do Ouvidor quando o corpo de Silva ainda estava no chão. "Não sei se já tinham verificado (os sinais vitais de Silva), mas só saí de lá depois do corpo ter sido recolhido e, em nenhum momento, chegou uma ambulância ou qualquer outro tipo de socorro", afirmou o percussionista, que disse ter se sentido impotente diante da situação. "Foi uma sensação de total incapacidade, por não ter conseguido salvar o meu amigo que lutava justamente para que essas coisas não acontecessem".

O comandante da PM, Mario Sergio Duarte, afirmou que todo os policiais recebem curso de verificação de sinais vitais. "Eles deveriam ter verificado os sinais vitais. Temos que particularizar cada situação, mas todos os PMs envolvidos serão inquiridos. Sabemos que pelo menos mais duas guarnições estiveram no local", disse Duarte, sem precisar o número exato de PMs investigados.

Policiais assumem erro na morte de integrante do Afroreggae:

Leia também:

Leia mais sobre: violência no Rio

    Leia tudo sobre: afroreggaepolícia militarrio de janeiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG