Justiça determina entrega de Sean ao pai até quinta-feira

Por Brian Ellsworth RIO DE JANEIRO (Reuters) - A família brasileira do menino Sean Goldman, de 9 anos, anunciou que irá entregá-lo ao pai até quinta-feira para que ambos voltem aos Estados Unidos, encerrando uma saga judicial que abalou as relações entre os dois países.

Reuters |

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, cassou na noite de terça-feira uma liminar que mantinha a criança no país, prolongando uma crise que já levara os Estados Unidos a ameaçarem suspender a aprovação de bilhões de dólares em benefícios comerciais ao Brasil.

Agora, a família terá até 9h de quinta-feira, véspera de Natal, para entregar o menino ao pai, o norte-americano David Goldman, segundo a decisão do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro.

A família brasileira disse nesta quarta-feira que não recorrerá da decisão do STF e que entregará Sean ao consulado norte-americano no Rio na manhã de quinta-feira.

Goldman luta pela custódia do filho desde 2004, quando a brasileira Bruna Bianchi, sua então esposa e mãe de Sean, trouxe o menino dos EUA, onde a família vivia, para o Brasil. Uma vez aqui, ela se divorciou de Goldman. Em 2008, Bruna morreu.

Goldman e o governo norte-americano dizem que, sob a Convenção de Haia para a proteção de crianças, assinada por ambos os países, o caso de Sean configura sequestro infantil internacional.

O norte-americano, que voltou ao Brasil na semana passada escoltado por parlamentares do seu Estado, Nova Jersey, não foi localizado para comentar a decisão nesta quarta-feira. Desde 2004, ele só viu Sean em rápidas visitas.

"Eu estava com David quando ele recebeu a notícia dos seus advogados. Ele abriu um sorrisão e estava muito feliz", disse o deputado Chris Smith a jornalistas na noite de terça-feira.

A família de Bruna Bianchi e o segundo marido dela lutaram para manter o menino no Brasil, alegando que ele havia criado raízes aqui e não queria voltar para os EUA. "O Sean está muito triste, ele estava esperando que ele pudesse manifestar a vontade dele", disse sua avó materna, Silvana Bianchi, a jornalistas. "A criança não é um pacote que você despacha de um país para o outro".

"Um ministro do Supremo cassa o direito de uma criança de se manifestar e faz um acordo econômico com essa criança. Essa criança vai pra lá, não fala nada, fica caladinha e a gente assina", acrescentou ela, afirmando que os interesses econômicos do Brasil falaram mais alto que as vontades do seu neto.

Em resposta à decisão do STF, o Senado dos EUA aprovou imediatamente, ainda na noite de terça-feira, a lei comercial que prorroga benefícios alfandegários de bilhões de dólares para algumas exportações brasileiras. O senador Frank Lautenberg, de Nova Jersey, havia obstruído a votação como forma de protesto.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, também interveio no caso para pressionar o governo brasileiro a entregar Sean ao pai biológico.

(Reportagem adicional de Douglas Engle e Dan Trotta em Nova York e da Reuters TV no Rio de Janeiro)

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